sexta-feira, 7 de agosto de 2026

7 de agosto - Dia de Santo Xisto II

Papa
+258 
Xisto II foi o vigésimo quarto sumo pontífice de Roma. Era grego, nasceu em Atenas e assumiu a direção da Igreja em 30 de agosto de 257. O seu governo durou apenas onze meses, tempo em que não poderia ter feito muitas obras. 

Mas fez uma das mais importantes para a Igreja. Com seu caráter reto e bondoso, conseguiu solucionar as discórdias que haviam atormentado a Santa Sé desde o governo de Vítor I. A questão polêmica era a seguinte: se um herege quisesse retornar à Igreja, após ter renegado a fé, deveria ser batizado de novo ou seria suficiente o batismo que havia recebido a primeira vez? Isso dividia a Igreja. De um lado, a de Roma, que aceitava o retorno apenas com a confirmação por meio do crisma. De outro, a do Oriente, em especial a da Antioquia e da Alexandria, que exigia um novo batismo. A discórdia aumentou quando o papa Vitor I impôs o procedimento romano a ser seguido por todos, sob pena de excomunhão. 
Moderado e pacifista, Xisto II neutralizou a excomunhão. Dizendo que não estava em jogo a fé comum, nem a união com o sucessor de Pedro, cada Igreja ou grupo de igrejas devia resolver a questão com independência e de acordo com as circunstâncias dos fatos, resolvendo o antigo problema. Assim, trouxe de volta à Igreja os cristãos da Antioquia e da Alexandria que se haviam distanciado, e a harmonia estabeleceu-se. Em meados de 258, o imperador Valeriano, por meio de um segundo decreto, obrigou que os cristãos renegassem a própria religião publicamente, sob pena de terem os bens confiscados e sofrerem morte por decapitação. Para os sacerdotes e integrantes da Igreja, seriam confiscados até mesmo os cemitérios. 

Xisto II fez o traslado das relíquias de são Pedro e são Paulo para um local seguro após esse decreto. Depois, surpreendido pelos soldados enquanto celebrava a santa missa, no cemitério, foi preso com outros sete religiosos. Durante as perseguições, os cristãos encontravam-se nos cemitérios subterrâneos para receberem a eucaristia, era lá que escondiam os livros sagrados e os objetos litúrgicos. Foram condenados, pelo imperador, à decapitação e houve o confisco dos bens. O papa Xisto II morreu junto com seis diáconos - Agapito, Estêvão, Feliz, Januário, Magno e Vicente -, no dia 6 de agosto de 258. O sétimo, Lourenço, foi morto quatro dias depois. 

A festa de são Xisto II e seus companheiros, com a reforma do calendário da Igreja, passou a ser celebrada no dia 7 de agosto. No livro dos papas, sua morte foi definida como "soglio pontificio", pois estava em exercício da santa missa. As suas relíquias estão na cripta dos papas de São Calisto, em Roma.



7 de agosto - Dia de São Caetano de Thiene


São Caetano de Thiene
1480-1547

Fundou a Ordem dos
Teatinos Regulares.

Caetano nasceu em Vicência, na Itália, em outubro de 1480. Filho do conde Gaspar de Thiene e de Maria do Porto, desde muito jovem mostrava grande preocupação e zelo pelos pobres, abrindo asilos para os idosos e muitos hospitais para os doentes, especialmente para os incuráveis. 

Estudou em Pádua, onde se diplomou nas matérias jurídicas, aos vinte e quatro anos de idade. Dedicava-se ao estado eclesiástico, mas sem ordenar-se, por considerar-se indigno. Nesse meio tempo, fundou, na propriedade da família, em Rampazzo, uma igreja dedicada a Santa Maria Madalena, que ainda hoje é a paróquia desta localidade. 
Em 1506, estava em Roma, exercendo a função de secretário particular do papa Júlio II. Na qualidade de escritor das cartas apostólicas, fez contato e conviveu com cardeais famosos, aprendendo muito com todos eles. Mas a principal virtude que Caetano cultivava era a humildade para observar muito bem antes de reprovar o mal alheio. Para melhor compreender, basta lembrar que ele viveu no período do esplendor renascentista, no qual o próprio Vaticano não primava pelo exemplo de moralidade e nem brilhava pela santidade dos costumes. 

Assim sendo, como homem inteligente e preparado, não se retirou para um ermo; ao contrário, encorajou-se para uma ação reformadora, começando por si mesmo. Costumava dizer que "Cristo espera e ninguém se mexe". Participou do movimento laical Oratório do Divino Amor, que procurava estudar e praticar as Sagradas Escrituras. Só então, depois de muita reflexão, decidiu-se pela ordenação sacerdotal, em 1516. 
Tinha trinta e seis anos de idade quando celebrou sua primeira missa na basílica de Santa Maria Maior. Nesta ocasião, ele mesmo relatou depois, Nossa Senhora apareceu-lhe e colocou-lhe nos braços o Menino Jesus. Foi para Veneza em 1520, onde colaborou na fundação do hospital dos incuráveis. Três anos depois, incansável, voltou para Roma, onde, na companhia dos companheiros do Oratório - Bonifácio Colli, Paulo Consiglieri e João Pedro Carafa, bispo de Chiete -, fundou a Ordem dos Teatinos Regulares, que tinha como objetivo a renovação do clero. 

Quando o papa Clemente VII aprovou a congregação, Caetano renunciou a todos os seus bens para dedicar-se única e exclusivamente à vida comum. O mesmo ocorreu com o bispo Carafa, que abdicou também da sua vida episcopal. Anos mais tarde, ele veio a tornar-se o papa Paulo IV, um dos grandes reformadores da Igreja. 
A nova congregação começou somente com os quatro, depois passaram para doze e esse número aumentou bastante em pouco tempo. São os primeiros clérigos regulares. Não são monges, pois são de vida ativa, porém vivendo em obediência: sob uma regra de vida comum, como religiosos, cujos membros renunciam a todos os seus bens terrenos, devendo viver de seu trabalho apostólico e de ofertas espontâneas dadas pelos fiéis, contando, apenas, com a Providência divina. Carafa foi o primeiro superior geral, embora a idéia da fundação fosse de Caetano de Thiene, que, na sua humildade, sempre se manteve de lado. 
Caetano morreu de fadiga, após uma vida de muito trabalho e sofrimento, aos sessenta e seis anos de idade, em Nápoles, no dia 7 de agosto de 1547. Foi canonizado em 1671. O seu corpo é venerado no dia de sua morte, na belíssima basílica de São Paulo Maior, mas que é chamada por todos os fieis e peregrinos de basílica de São Caetano, localizada na praça principal da cidade.

7 de agosto - Dia de Santa Afra e suas companheiras

Santa Afra
e suas companheiras
Século IV




Afra era uma jovem pagã de costumes levianos, que vivia com sua mãe, Hilda, e três criadas: Digna, Eunômia e Eprepria. Orientada por sua mãe, Afra gostava de prestar culto e render homenagens a Vênus, uma das muitas deusas pagãs. Porém o que ela não poderia prever é que seria tocada pela fé cristã. Isso ocorreu quando descobriu que os dois desconhecidos que estavam hospedados em sua casa eram o bispo Narciso e seu diácono Félix. 

Na época, ano 304, o imperador romano Diocleciano impunha uma severa perseguição aos cristãos. Esse foi o motivo que levou Narciso e Félix a fugir da fúria sangrenta que assolava a Espanha, indo parar em Augsburgo, na Baviera, Alemanha, quando foram acolhidos na residência de Afra, que, como sua mãe, nunca os tinha visto.


 Mas, na hora da refeição, à mesa, os dois começaram uma oração que chamou a atenção das duas e também das criadas ali presentes. Foi então que descobriram que os hóspedes eram cristãos e um deles era bispo da Igreja Católica. 



Afra, a princípio, ficou confusa com os estrangeiros cristãos. Depois, mesmo sem conhecer o bispo Narciso, caiu aos seus pés e confessou sua vida de pecados. Ele, percebendo que Afra estava realmente arrependida e que sua alma clamava pelo perdão do Senhor, resolveu absolvê-la, desde que se convertesse e fosse batizada no cristianismo. 

Ela não só se converteu como ainda animou sua mãe e as outras companheiras para que fizessem o mesmo. Também decidiu ajudar Narciso e Félix a continuarem sua fuga, despistando os soldados do imperador. 


BISPO NARCISO BATIZA SANTA AFRA


Entretanto Afra foi traída e denunciada às autoridades pagãs. Presa, o perdão e a liberdade foram-lhe oferecidos, mas só se voltasse a reverenciar os falsos deuses. Afra negou-se e confirmou sua fé em Jesus Cristo. Foi levada para a ilha de Lesh, onde a despiram, amarraram num poste e depois queimaram viva. 


O mesmo aconteceu, algum tempo, depois com as suas companheiras e sua mãe. 

Elas, que já se haviam convertido, tinham ido rezar junto à sepultura de Afra quando foram flagradas pelos soldados do imperador. 

Hilda, a exemplo de sua filha Afra, recusou-se a abandonar a fé cristã, sendo acompanhada na decisão também pelas três criadas. 




Todas morreram queimadas vivas, ali mesmo, junto ao túmulo da mártir Afra. 

Esta é uma das mais antigas tradições cristãs do povo alemão, que venera santa Afra como Padroeira da cidade de Augsburgo desde a Antigüidade, e que teve seu culto autorizado pela Igreja somente em 1064. 

A festa de santa Afra em Augsburgo acontece no dia 7 de agosto, embora, em algumas localidades, ocorra em outras datas.






SEPULCRO DE SANTA AFRA




quinta-feira, 6 de agosto de 2026

6 de agosto - Transfiguração do Senhor

6 de agosto

Transfiguração do Senhor

A festa da "Transfiguração do Senhor" acontece no mundo cristão desde o século V. Ela nos convida a dirigir o olhar para o rosto do Filho de Deus, como o fizeram os apóstolos Pedro, Tiago e João, que viram a Sua transfiguração no alto do monte Tabor, localizado no coração da Galiléia. O episódio bíblico é relatado distintamente pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. 
Assim, segundo São Mateus 9,2-10, temos: "Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. Pedro tomou a palavra: "Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: "Este é o meu Filho muito amado; ouvi-O". E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos". 
A intenção de Jesus era a de fortalecer a fé destes três apóstolos, para que suportassem o terrível desfecho de Sua paixão, antecipando-lhes o esplendor e glória da vida eterna. Também foi Pedro, que depois, recordando com emoção o evento, nos afirmou: "Fomos testemunhas oculares da Sua majestade" (2 Pd 1, 16). 

O significado dessa festa é, e sempre será, o mesmo que Jesus pretendeu, naquele tempo, ao se transfigurar para os apóstolos no monte, ou seja, preparar os cristãos para que, em qualquer circunstância, permaneçam firmes na fé no Cristo. Melhor explicação, só através das inspiradas palavras do Papa João Paulo II, quando nesta solenidade em 2002, nos lembrou que: "O rosto de Cristo é um rosto de luz que rasga a obscuridade da morte: é anúncio e penhor da nossa glória, porque é o rosto do Crucificado Ressuscitado, o único Redentor da humanidade, que continua a resplandecer sobre nós (cf. Sl 67, 3)".

Somente em 1457, esta celebração se estendeu para toda a cristandade, por determinação do Papa Calisto III, que quis enaltecer a vitória, do ano anterior, das tropas cristãs sobre os turcos muçulmanos que ameaçavam a liberdade na Europa.



CAPÍTULO 6 TRANSFIGURAÇÃO DE CRISTO, NO TABOR, COM A PRESENÇA DE SUA MÃE SANTÍSSIMA. SOBEM DA GALILÉIA PARA JERUSALÉM. A UNÇAO FEITA POR MADALENA EM BETANIA.

A transfiguração

1099. Decorrera mais de dois anos e meio da pregação e milagres de nosso Redentor e Mestre Jesus. Aproximava-se o tempo marcado pela eterna sabedoria para voltar ao Pai, por meio de sua paixão e morte, e com ela deixar satisfeita a divina justiça e redimido o gênero humano. 

Como todas as suas obras eram ordenadas à nossa salvação e ensinamento, cheias de divina sabedoria, determinou o Senhor, preparar alguns de seus apóstolos para o sobressalto que sua morte lhes iria produzir (Mt 26 , 31). Quis, antes, lhes mostrar glorioso, aquele corpo passível que depois veriam açoitado a crucificado. Vê-lo-iam transfigurado pela glória, antes de o ver desfigurado pelas dores. Pouco antes ele fizera esta promessa diante de todos, embora apenas para alguns, como refere o evangelista São Mateus (Mt tó, 28). Para isto escolheu um alto monte, o Tabor, situado no centro da Galiléia, a duas légua s d e Nazar é par a o oriente , subindo até seu cume . Co m o s trê s Apóstolos, Pedro, Tiago e seu irmão João, transfigurou-se diant e deles , como nar ram três evangelistas: Mateus (17 , 1-4) ; Marcos (9,1); Lucas (9,28). Acharam-se também presentes na transfiguração de Cristo, nosso Senhor, os dois profetas Moisés e Elias com ele falando sobre sua Paixão. Enquanto se achava transfigurado veio uma voz do céu que , em nome do eterno Pai, disse: Este é meu Filho muito amado em quem me comprazo; a Ele deveis ouvir. 

A transfiguração e Maria 1100. 

Não dizem os Evangelistas que Maria santíssima estivesse presente ao prodígio da transfiguração, mas tampouco o negam. Isto não pertencia à sua finalidade, nem convinha manifestar nos Evangelhos o oculto milagre com que se realizou. Para escrever esta história, a mim foi dado a compreende r o seguinte : ao mesmo tempo que alguns anjos trouxeram a alma de Moisés e Elias, a divina Senhora foi levada por seus santos anjos ao monte Tabor, para ver seu Filho santíssimo transfigurado, e realmente o viu. Ainda que nã o fosse necessário fortalecer a fé da Mãe santíssima como a dos apóstolos , pois nela estava confirmada e seguríssima, teve o Senhor muitos fins no prodígio da Transfiguração. Além disso , para su a Mãe santíssima havia outras razões particulares, para
Sexto Livro Cristo nosso Redentor celebrar tão grande mistério em sua presença. O que para os apóstolos era favor, para a Rainha e Mãe era como devido , sendo ela su a companheira e coadjutor a d a Redenção at é a cruz. Convinha, por esta graça, confortar sua alma santíssima para os tormentos que iria padecer. Ficando depois, por Mestra da sant a Igreja , dari a testemunho deste mistério. Seu Filho santíssimo não lhe iria ocultar o que , tão facilmente, lhe podia manifestar, pois lhe mostrava todas a s operações de sua alma santíssima. Seu amo r filial pela Mãe não lhe negaria este favor, quando não deixou de lhe fazer quantos lhe provavam seu terníssimo afeto . Pessoalmente, para a grande Rainha, resultava em maior excelência e dignidade. Por estas razões e outras muitas, que não é necessário referir agora, foime dado a entender que Maria santíssima assistiu a Transfiguração de seu Filho santíssimo e Redentor nosso.

Visão da Virgem 1101. 

Durante o tempo em que se realizou este mistério, a Virgem viu, não apenas a humanidade de Cristo transfigurada e gloriosa, mas também a divindade, clara e intuitivamente. A graça feita aos Apóstolos, foi para ela muito maior e mais perfeita. Mesmo n a visão da glória do corpo, a todos manifesta , houve grande diferença entre a divina Senhor a e o s apóstolos. Eles, a princípio, quando o Senhor se retirou a orar , ficaram sonolentos , como diz São Lucas (9 , 32). Depois , ao ouvir a voz do céu , co m grande temo r caíram com o rosto por terra, até que o Senhor lhes falou e os levantou,  como narra São Mateus Capítulo 6  (17, 6). A divina Mãe, porém, em tudo conservou-se inalterável , pois além de estar habituada a tantas e tão grandes graças, fôra repleta de novas disposições de iluminação e fortaleza par a ver a divindade. Assim, pôde ver o corpo transfigurado sem se ofuscar e sem sofrer o temor e desfalecimento que os apóstolos sofreram na parte sensitiva. A Mãe santíssima já vir a outras vezes o corpo de seu Filho santíssimo transfigurado, como acima disse*1*. 

Nesta ocasião, porém, foi com novas circunstâncias que lhe produziram maior admiração inteligência e outros singulares favores Em igual proporção, foram os efeitos produzidos em sua alma puríssima, tendo saído desta visão , toda renovada , inflamada e deificada. Enquanto viveu em carne mortal, nunca perdeu as espécies desta visão da humanidade gloriosa de Cristo nosso Senhor. Serviu-lhe de grande consolo na ausência de seu Filho, enquanto não lhe foi renovada sua imagem gloriosa em outras visões, como veremos na terceira parte. Não obstante, foi também motivo para sentir mais as afrontas de sua Paixão, tendo-o visto como Senhor da glória.

Explicação da Transfiguração 1102. 

Os efeitos que em sua alma santíssima produziu est a visão de Cristo glorioso, não se podem explicar humanamente. Ver , com tanto esplendor,  aquela substância que o Verbo tomara de seu próprio sangue, que trouxera em seu virginal seio e alimentara com seu leite; ouvir a voz do Pai reconhecendo por Filho aquele que também era seu, dando-o por Mestre aos homens; a prudentíssima Mãe penetrava, agradeci a e louvava digna mente ao Todo-poderoso por todos estes mistérios. Fe z novo s cânticos com seus anjos, celebrando aquele dia tão festivo l-n°69S.851. Sexto Livro - Capítulo 6 para sua alma e para a humanidade de seu pilho santíssimo. Não me detenho em explicar outras coisas deste mistério, e em que consistiu a transfiguração do sagrado corpo de Jesus . Bast a saber, que seu rosto resplandeceu como o sol e suas vestes ficaram mais brancas que a neve (Mt 17, 2). Esta glória no corpo resultou da que o Salvador sempr e possui u em su a alma divinizada e gloriosa. Na Encarnação , fez o milagre de suspender os efeitos de glória que ela, permanentemente, devi a refletir sobre o corpo. Agora, na transfiguração, cessou, de passagem, aquele milagre, e o corpo puríssimo participou da glória da alma, sendo isso o esplendor e claridade vistos pelos que a assistiam. Terminada a Transfiguração, continuou o milagre de se suspender os efeitos da alma gloriosa. Visto que esta era sempre beatificada, foi também prodígio que o corpo recebesse apenas d e passagem, o que, normalmente , sempre deveria ter.

Última viagem de Jesus 1103. 

Celebrada a Transfiguração, a Mãe santíssima foi trazida de volta à sua casa em Nazaré. Seu Filho santíssimo desceu do monte e veio encontrá-la, para se despedir de sua terra, e dirigir-se a Jerusalém onde deveria padecer na Páscoa, a última para o Senhor. Passados alguns dias saiu de Na zaré acompanhado de sua Mãe santíssima, dos apóstolos, discípulos e outras santas mulheres, percorrendo o centro da Galiléia e Samaria até chegar em Jerusalém na Judéia. O evangelista São Luca s descreve esta viagem dizendo que o Senhor, resolutamente, encaminhou-s e para Jerusalém (Lc 9,51). Partiu com alegre semblante e fervoroso desejo de sofrer, e voluntariamente oferecer-se pelo gênero humano. Não voltari a mai s à Galiléi a onde re alizara tantos prodígios. Ao sair de Nazaré , adorou a o eterno Pai agradecendo-lhe,  enquanto homem, por ter, naquela casa e lugar, recebido a forma e ser humano que, pela salvação dos homens, ofereceria à paixão e morte. Nesta oração que não posso explicar com palavras , entr e outra s muitas , Cristo nosso Redentor disse estas:

Oração de Cristo 1104. 

Meu eterno Pai, para vos obedecer vou, com alegria e boa vontade, satisfazer vossa justiça e padecer até morrer para reconciliar convosco todos os filhos de Adão (Rom 5, 10). Pagarei a dívida de seus pecados, e abrir-lhes-ei as portas do céu que estes tinham fechado. Vou à procura das almas que, deixando-me s e perderam (Lc 19 , 10) , e se hão de salvar pela força de meu amor. Vou reunir os dispersos da casa de Jacó (Is 56, 8), erguer os caídos, enriquecer os pobres, refrigerar os sedentos, derrubar os soberbos e exaltar os humildes. Quero vencer o inferno e enaltecer o triunfo d e vossa glória contra Lúcifer (Uo 3 , 8 ) e os vícios que semeou no mundo. Quer o arvorar o estandarte da cruz, sob a qual hão de milita r todas as virtudes e quantos a seguirem (M116,24). Quero saciar a sede de meu coração pelos opróbrios (Tren 3, 30) e afrontas, a vossos olhos tão estimáveis. Quero humilhar-me até receber a morte da mão de meus inimigos, para que vossos amigos e escolhido s sejam honrados e consolados em suas tribulações, exaltados com eminente e copiosa recompensa, quando a meu exemplo se humilharem a padecê-las (FHp 28), 221 Sexto Livro - Capítulo 6 
Oh! cruz suspirada, quando me receberás em teus braços? Oh! doces opróbrios e dolorosas afrontas,  quando me levareis à morte para deixá-la vencida em minha carne (Heb 2,17) que em tudo foi inocente? Dores , opróbrios, ignomínias, açoites, espinhos,  paixão, morte, vinde a mim que estou à vossa procura; deixai-vos logo encontrar por quem vos ama e conhece vosso valor. Se o mundo vos aborrece eu vos cobiço. Se ele, ignorante, vos despreza, Eu que sou a verdade e sabedoria, vos procuro porque vos amo. Vinde, pois, a Mim, receber-vos-ei com o homem, e como Deus vos darei a honra que vos tirou o pecado e quem o comete. Vinde a Mim e não frustreis meus desejos. Se não vos aproximais porque sou todo-poderoso, dou-vos licença para que em minha humanidade empregueis toda vossa ação. Não sereis por Mim repelidos, como fazem os mortais. Acabe-se o engano e ilusão dos filhos de Adão que servem à vaidade e à mentira (S I 4 , 3), julgando infelizes os pobres, aflitos e injuriados pelo mundo. Quando virem o seu verdadeiro Deus, Criador, Mestre e Pai padecer opróbrios, açoites, ignomínias, tormentos, desnudez e morte de cruz, acabará o erro e terão por grande honra seguir seu Deus crucificado.

Incoerência dos homens 1105. 

Estas são algumas das razões que me foi dado a entender brotavam do coração do Mestre da vida, nosso Salvador. A realidade dos fatos manifestaram o que minhas palavras não conseguem exprimir: o valor que via nos sofrimentos , na paixão, na morte e na cruz e o amor com que as desejou. Mesmo assim, nós, criaturas terrenas, não abrandamos o coração e não deixamos a vaidade (SI 4, 3). Tendo diante dos olhos a vida e a verdade, sempre so mos arrastados pelo deleite, avessos, ao que é penoso. Oh! lamentável erro! Trabalhar tanto para fugir de pequeno trabalho, cansar-se demasiado por não aceitar pequeno incômodo, preferir estultamente sofrer uma ignomínia e vergonha eterna, a padecer uma insignificante, e mesmo por nào se privar de uma honra vã e aparente! Quem dirá, se tiver são juízo, que isto é amar-se a si mesmo? Ofendendo a Deus, nos prejudicamos mais, do que nos poderiam lesar as perseguições do inimigo. Consideramos inimigo aquele que, debaixo de lisonjas e carícias, nos arma traição, e louco seria quem, sabendo, se entregasse a esta, por causa do pequeno deleite daqueles. Se isto é verdade, onde está o juízo dos seguidores do mundo? Quem lho roubou? Quem lhes estorva o uso da razão? Oh! quão grande é o número dos néscios (Ecle 1,15)!

Oração de Maria 1106. 

Somente Maria santíssima, imagem viva de seu Unigênito, foi a única entre os filhos de Adão que se ajustou perfeitamente à sua vontade e vida, sem discordar um ponto de todas suas obras e doutrina. El a foi a prudentíssima, plena de ciência e sabedoria, que pode compensar as falhas de nossa ignorância ou estultice, alcançando-nos a luz da verdade, para iluminar nossas densas trevas. Na ocasião de que vamos falando, aconteceu que a divina Senhor a viu no espelho da alma santíssima de seu Filho, todos os atos e afetos interiores que ele fazia. Como essa visão era a norma de suas ações, acompanhou-o naquela oração ao eterno Pai, dizendo interionnente: Deus 222 Sexto Livro - Capítulo 6
altíssimo e Pai das misericórdias, adoro teu ser infinito e imutável. Louvo-te e glorifico-te eternamente porque neste lugar, depois de me haver criado , tua benignidade se dignou elevar-me à Mãe de teu Unigênito, com a plenitude de teu espírito. Comigo, tua humilde escrava, enalteceste tuas antigas misericórdias. Sem Eu o merecer, teu unigênito e meu na humanidade que recebeu de minha substância, dignou-se conservar-me em sua companhia, tão desejável, por trinta e três anos. Durante este tempo gozei das influências de sua graça e magistério e de sua doutrina que iluminou o coração de tua serva. Hoje, Senhor e Pai eterno, deixo minha terra e acompanho meu Filho e meu Mestre para cumprir tua vontade e assistir ao sacrifício de sua vida pelo gênero humano. Não há dor que se iguale a minha dor (Tre 1 » 12), pois hei de ver entregue aos lobos sanguinários o Cordeiro que tira os pecados do mundo (Jer 11,19); aquele que é a viva imagem de tua substância (Sab 7,26; Heb 1,3 ) gerado abaeterno e por todas as eternidades igual a ela; aquele, a quem Eu dei o ser humano em meu seio, verei entregue aos opróbrios da morte de cruz, e desfigurada pelos tormentos a beleza daquele rosto (Is 53, 2) que é a luz de meus olhos e a alegria dos anjos. Oh! se fora possível eu sofrer as penas e dores que o esperam, e me entregar à morte para poupar sua vida! Recebe, Pai altíssimo, o sacrifício que com teu amado te oferece meu doloroso sentimento, a fim de que se cumpra tua santíssima vontade e beneplácito. Oh! que rápidos correm os dias e as horas, aproximando a noite de minha dor e amargura! Para a linhagem humana será dia feliz, mas noite de aflição para meu coração tão contristado com a ausência do sol que o iluminava.

Oh! filhos de Adão, tão enganados e esquecidos de vós mesmos! Despertai de tão pesado sono e conhecei peso de vossas culpas, pelo que custaram ao vosso mesmo Deu s e Criador. Olhai meu delíquio, dor e amargura. Acabai de vos convencer do mal que é o pecado.

Partida de Nazaré para Jerusalém 1107.

Não posso dignamente manifestar todos os atos e conceitos que a grande Senhora do mundo fez nesta última despedida de Nazaré: suas súplicas e orações ao eterno Pai, os doces e dolorosos diálogos com seu Filho santíssimo, a grandeza de su a amargura, os incomparáveis méritos que adquiriu. Entre o amor santo e maternal de verdadeira mãe com que desejava a vida de Jesu se evitar-lhe os tormentos que havia de padecer,  e conformidade com a vontade dele e a do eterno Pai - seu co ração era traspassado pela dor, daquela espada penetrant e que lhe profetizou Simeão (Lc 2,35). Nesta aflição, dizia a seu Filho palavras prudentíssimas, cheias de sabedoria, meigas e dolorosas, por não poder lhe evitar a Paixão, nem acompanhá-lo morrendo com Ele. Nestas penas ultrapassou, sem comparação, a todos os Mártires que existiram e existirã o at é o fim do mundo. Nestas disposições e sentimento,  ignorados pelos homens, prosseguiram os Reis do céu e terra, a viagem de Nazaré a Jerusalém, através da Galiléia , onde não mais voltou o Salvador do mundo, em sua vida mortal. Como estava a terminar o tempo de trabalhar pela salvação dos homens , foram maiores os prodígios que fez nestes últimos meses, antes de sua paixão e morte, conforme é narrado pelos Evangelhos 223 Sexto Livro listas (Mt 13; Mc 10 ; Lc 9; Jo 7), desde a partida da Galiléia at é o dia de sua entrada triunfante em Jerusalém, como direi adiante(2). Até esta ocasião, depois da festa dos Tabernáculos, o Salvador esteve percorrendo a Judéia, aguardando o tempo marcado para se oferecer em sacrifício, quando e como Ele mesmo queria. Amor entre Filho e Mãe 1108. Nesta viagem, a Mãe santíssima acompanhou o sempre,  salvo o tempo em que se separavam para acudir a diferentes obras em beneficio das almas. Nestas ocasiões, era acompanhada e servida por São João. Desde esse tempo, o santo Evangelista percebi a grandes mistérios e segredos da puríssima Virgem Mãe, sendo ilustrado com altíssima luz para entendê-los. Entre as maravilhas que a prudentíssima e poderosa Rainha operava,  as principais e de maior caridade, consistiam em dirigir seus anseios e súplicas para a justificação das almas. Também Ela, como seu Filho santíssimo, fez maiores favores aos homens, trazendo muitos ao bom caminho , curando enfermos, visitando pobres, necessitados e desamparados. Ajudava-os a bem morrer, servia-os pessoalmente, principalmente aos mais abandonados, doentes e chagados. De tudo era testemunha o Discípulo amado que se encarregara de servila. A força do amor de Maria puríssima por seu Filho e Deus eterno crescera imensamente. Vendo-o agora prestes a se despedir para voltar ao Pai, sofria a Mãe beatíssima tão contínuos ímpetos do coração no desejo de o ver , que chegava a sentir amorosos desfalecimentos quando fek s e ausentava ou quando El e se de
- Capítulo 6 morava a voltar. O Senhor, como Deus e Filho, via o que acontecia à sua Mãe queridíssima. Correspondia-lhe com a mesm a fidelidade, dizendo-lh e interiorment e as palavras do s Cântico s qu e aqu i s e re alizaram literalmente : Feris.t e meu co ração, minha irmã , feriste-o com um dos teus olhos (Cânt 4, 9). Ferido e vencido por seu amor ia logo a seu encontro. Conforme entendi, Cristo , nosso Senhor, enquanto homem, não poderia ficar longe da presença de sua Mãe, se atendesse à intensidade da afeição que lhe dedicava, como Mãe que tanto o amava. Sua vista e presença O consolava; a beleza daquela alma puríssima dava-lhe prazer e tomava-lhe suaves os trabalhos e penalidades, dos quais Ela era o fruto, entre todos, único e singular . Su a amabilíssima presença era d e grand e alívi o para as penas sensíveis do Senhor.

Volta de Cristo à Betânia 1109. 

Continuava nosso Salvador a realizar maravilhas na Judéia, entre elas a ressurreição de Lázaro na Betânia (Jo 11, 17) , onde veio a chamado das irmãs Marta e Maria . Muit o próxim o de Jerusalém, logo se divulgou ali o milagre, e os pontífices e fariseus, irritados com o prodígio, fizeram uma reunião para decretar a morte do Salvador (Jo 11,47). Ordenaram que, se alguém tivesse notícia d'Ele, o denunciasse, porque depois da ressurreição de Lázaro, Jesus retirara-se à cidade de Efren (Jo 11 , 54) até a festa da páscoa que não estava longe. Ao chegar o tempò de voltar a celebrá-la com a sua morte, abriu-se mais com os Apóstolos, dizendo-lhes que subiam a Jerusalém, onde o Filho do Homem seria entregue aos príncipes dos fariseus , para ser preso,  açoitado e vilimpediado até a morte de Cruz Sexto Livro - Capitulo 6 (Mt20, 17 ; Mc 10,32; Lc 18,31; Jo 11,12). Neste Ínterim, andavam os fariseus atentos, à espreita de o ver subir a Jerusalém par a celebrar a Páscoa . Seis dias antes voltou a Betânia (Jo 12 , l)onde ressuscitara Lázaro . Fo i hospedado por suas duas irmãs que prepararam lauta ceia para Jesus e sua Mãe santíssima e todos os que os acompanhavam para a festividade da Páscoa. Um dos presentes à ceia foi Lázaro , ressuscitado poucos dias antes.

A unção por Madalena 1110. 

Estando o Salvador reclinado à mesa , conforme o costume do s judeus, entrou Maria Madalena (Jo 12,3) repleta de luz divina e de elevados e nobilíssimos pensamentos . Com ardentíssimo amor por seu divino Mestre, derramou-lhe sobre a cabeça e os pés um frasco
de alabastro, cheio de precioso e fragrantíssimo perfume feito de nardo e outras substâncias aromáticas . Limpou-lhe os pés com os cabelos, como fizera em sua conversão, na casa do fariseu , conforme conta São Lucas (Lc 7 , 38). Os outros trê s Evangelistas (Mt 26,6; Mc 14,3; Jo 12,3) descrevem esta segunda unção, feita por Madalena, com alguma diferença. Todavia,  não entendi que fossem duas unções, nem duas mulheres, mas só a Madalena, inspirada pelo divino Espírito e por seu inflamado amor por Cristo nosso Salvador A casa toda rescendeu com a fragrância desse unguento. Era bastante , muito precioso e a liberai e amorosa discípula quebrou o frasco para derramá-lo totalmente em honra de seu Mestre. O avarento apóstolo, Judas,  que desejava tê-lo vendido para ficar com o dinheiro, começou a criticar a misteriosa unção. (Jo 12,5), contagiando alguns dos outros apóstolos , sob o pretexto de caridade para com os pobres. Dizia que se lesavam as esmolas, gastando tão prodigamente e sem proveito coisa de tanto valor. Na realidade, aquele ato fôra inspirado por vontade divina, enquanto ele não passava de hipócrita, avarento e insolente.

Revolta de Judas 1111. 

O Mestre da verdade defendeu Madalena a quem Judas repreendia de pródiga e irrefletida. Disse o Senhor, a ele e aos demais , que não a incomodassem (M126,10) porque aquele ato não era feito sem justa razão . Os pobres, por causa disso, não seriam privados das esmolas que lhes quisessem dar todos os dias, mas à sua pessoa nem sempre poderiam fazer aquele obséquio.  Era a sua sepultura que a generosa e enamorada Madalena, 225 Sexto Livro - Capítulo 6 Inspirada pelo céu , estava prevenindo com aquela misteriosa unção.  Testemunhava, assim, que o Senhor iria se sacrificar pelo gênero humano, e sua morte e sepultura estavam muito próximas. Nada disso, porém,  entendeu o pérfido discípulo , encolerizando-s e contra seu Mestre por ter justificado o ato de Madalena.  Vendo Lúcifer a disposição daquele depravado coração, lançou-lhe novas setas de cobiça, raiva e mortal ódio contra o Autor da vida. Desde esse momento, Judas decidiu maquinar a morte do Mestre desacreditando-o, junto aos fariseus de Jerusalém como realmente e com audácia o fez. As ocultas, procurou-os e lhes disse que seu Mestre ensinava leis novas, contrárias às leis de Moisés e dos imperadores; que era amigo de banquetes, de gente perdida e mundana; que acolhi a muitos homens e mulheres de má vid a e andava em sua companhia. Que os fariseus tratassem de ver isso, não viesse acontecer alguma tragédia que depois não pudessem remediar. Como os fariseus pensavam de igual modo, manejados, tanto eles como Judas, pelo príncipe das trevas, aceitaram o conselho, e combinaram a venda de Cristo nosso Salvador.

Obstinação de Judas 1112. 

Todos os pensamentos de Judas eram conhecidos, não só do divino Mestre, mas também de sua Mãe santíssima. Nem por isto, o Senhor deixou de lhe falar como amoroso pai, e de lhe enviar ao obstinado coração santas inspirações. A estas, a Mãe de clemência acrescentou novas exortações e diligência s para im pedir o discípulo de cair no precipício. Naquela noite da ceia, que foi no sábado antes do domingo de Ramos ,
chamou-o em particular e com palavra de grande doçura, entre copiosas Iágrimas, lhe mostrou o tremendo perigo què corria. Pediu-lhe que mudasse de resolução, e se nutria rancor por seu Mestre que se vingasse n'Ela , pois seria menor mal, sendo Ela pura criatura, e Ele seu Mestre e verdadeiro Deus. Para saciar a cobiça daquele avarento coração , ofereceu-lhe alguma s coisas que para isso a divina Mãe recebera de Madalena. Nenhum a destas deligências, entretanto, foram capazes de abrandar o ânimo endurecido de Judas, nem tão vivas e suaves razões puderam impressionar seu coração mais duro que o diamante. Pelo contrário, não achando o que responder às justas palavras da prudentíssima Rainha, calou e se irritou ainda mais, mostrando-se ofendido. Mas, nem por isso, se envergonhou de aceitai* o que Ela lhe deu, pois era tão ambicioso quanto desleal. Deixando-o, Mari a santíssim a dirigiu-se a seu Filho e Mestre, e cheia de amargura e lágrimas atirou-se a seus pés. Procurou consolá-l o com grand e com paixão, pois via que sua humanidade santíssima se entristecia pelas mesmas razões que depoi s o fez dize r ao s discípulos: minha alma está triste até a morte (Mt 26, 38). Esta s penas eram produzida s pelos pecados dos homens que haviam de perder o fruto d e sua paixão e morte, como adiante direi , 

DOUTRINA DA RAINHA DO CÉU MARIA SANTÍSSIMA.

Pela cruz à glória 1113. Sexto Livro - Capitulo 6 Minha  filha, continuando a escrever a história de minha vida, cada dia vais compreendendo melhor o ardentíssimo amor com que meu Senhor e tu, abraçamos o caminho da cruz e do sofri mento, o único que escolheu na vida mortal. Já que recebes esta ciência que Eu sempre te repito, é razão que trabalhes por imitá-la. Esta dívida vai crescendo parati, desde o dia que te escolheu por Esposa. Aumentando sempre, não a podes solver se não abraçares os trabalhos, e se não os amares com tal afeto, que para ti a maior pena seja o não padecê-los.  Cada dia,  renova em teu coração esta ciência ignorada e detestada pelo mundo. Ao mesmo tempo, adverte, porém, que Deus não quer provar a criatura apenas para a afligir, mas sim para tomá-la capaz e digna dos benefícios e tesouros que, por este meio, lhe prepara e ultrapassam todo humano pensamento (ICor 2 , 9). Em fé da referida verdade e como penhor dessa promessa, quis se transfigurar no Tabor, na presença minha e de alguns discípulos. Na oração que ali fez ao Pai, e que só Eu conheci e entendi, adorou-o por verdadeiro Deus , infinito em perfeições e atributos, conforme costumav a fazer quando queria lhe dirigir algum pedido. Em seguida , suplicou que os corpos mortais, que por seu amor e à sua imitação se mortificassem e sofressem,  na nova lei da graça, participassem depois da glória de seu corpo; e, para dela gozar no grau que cada qual merecesse, fosse ressuscitado no dia do juízo final e unido à própria alma. Concedeu o eterno Pai este pedido. Confirmou-o como por um contrato entre Ele e os homens , mediante a glória do corpo de seu Mestre e Salvador , penhor da que pedia para todos seus seguidores. Tanto valor como este adquire o momentâneo trabalho (Cor 4,17) dos mortais ao se privarem dos deleites terrenos, mortificando sua carne e padecendo por Cristo, meu Filho e Senhor. Paciência com as almas 1114. Em virtude dos méritos infinitos que Ele interpôs nesta petição, esta glória é coroa de justiça para a criatura. Tem direito a ela como membro da cabeça que lha mereceu , Cristo (2Tim 4 , 8). A união a Ele, porém, é efetuada pela graça e pela imitação no padecer ao qual corresponde o prêmio. Se qualquer sofrimento corporal terá sua coroa, muito maior será o de sofre r e perdoa r a s injúrias, retribuindo-as com benefícios,  como nós fizemos com Judas. O Senhor não o excluiu do apostolado, não se mostrou indignado contra ele, e o esperou até o fim. Finalmente, pela própria malícia o infeliz acabou por se entregar ao demônio e se impossibilitar para o bem. Na vida mortal o Senhor é muito lento para se vingar, mas depois compensará a tardança com o rigor do castigo. Pois, se Deus suporta e espera tanto, quanto não deve um vil bichinho tolerar a outro de sua mesma natureza e condição? Por esta verdade, e com o zelo da caridade de teu Senhor e Esposo, deves regular tua paciência, tolerância e solicitude pela salvação das almas. Não te digo para tolerar o que for contra a honra de Deus, pois isto não seri a verdadeiro zel o pelo bem do próximo. Quero que aborreça s o pecado, mas ames as criaturas do Senhor; que sofras e dissimules o que se referir a ti, e trabalhes para, o quanto for possível, todas se salvarem. Não percas logo a confiança quando não vires o resultado , mas apresenta ao eterno Pai os méritos de meu Filho Santíssimo, a minha intercessão,  a dos anjos e santos. Deu s é caridade, e estando nele, os bem-aventurados a exercitam a favor dos peregrinos na terra (Uo 4,16).
227 

06 de agosto Senhor Bom Jesus

 Em 1647, no auge da riqueza proporcionada pelo ouro, Iguape transformou-se em um centro de peregrinação. Na descrição do aparecimento da santa imagem, mandada escrever no Livro do Tombo em 1730,[1] pelo Reverendo Padre Christóvão da Costa e Oliveira, o qual a transcreveu de documentos ainda mais antigos, e era tradição que a imagem do Senhor Bom Jesus vinha do Reino de Portugal, embarcada para Pernambuco, e ao encontrar com inimigos infiéis, com receio de ter seus objetos religiosos profanados, os portugueses a lançaram no mar, juntamente com o que se achou junto dela, cera e azeite doce.

Em 1918, Trajano Vaz retratou o encontro da imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, na Praia do Una, Juréia, no ano de 1647.

Alguns meses depois, Francisco de Mesquita, morador da Praia da Jureia, mandou dois índios boçais e sem conhecimento da , para a Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém. Estes, ao passarem pela Praia do Una, acharam junto ao rio Passauna, um vulto desconhecido rolando nas ondas, e levaram-no para a praia, onde cavaram um buraco e o puserão em pé com o rosto para o nascente e assim deixaram com um caixão, cera do reino e umas botijas de azeite doce, os quais se encontravam afastados do local. Ao retornar, os índios acharam o dito vulto desconhecido, no mesmo lugar, mas com o rosto virado para o poente, e acharam estranho não haver vestígio sequer de que alguém o tivesse movido. Logo que chegaram ao sítio de seu administrador, contaram o fato e a notícia se espalhou, e assim que se soube pelos vizinhos, resolveram que Jorge Serrano e sua mulher Anna de Góes, seu filho Jorge Serrano e sua cunhada Cecília de Góes, ia ver o que foi contado pelos índios, e acharam a santa imagem e a colocaram em uma rede e a trouxeram alternadamente entre eles, até o sopé do morro da Juréia, local conhecido como rio Verde, onde foram alcançados por moradores vindos da Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, que souberam da notícia, e os ajudaram no transporte até o alto do morro, onde estes prosseguiram até a barrado rio, no bairro Barra do Ribeira, onde os moradores da então vila de Iguape foram buscar a imagem. Esta foi então levada para um riacho, no sopé do Morro do Espia, onde sobre as pedras, foi banhada para lhe retirar o sal marinho e ser encarnada novamente.Missa celebrada na Praia do Una, no local do encontro da imagem.Construção da Igreja Matrizde Nossa Senhora das Neves, iniciada em 1780.

Após ser decorada, foi entronizada no altar-mor da antiga Igreja de Nossa Senhora das Neves em um sábado no dia 2 de novembro de 1647.[1] No mesmo tempo em que foi achada a imagem na praia, foram vistas pelo Padre Manoel Gomes, Vigário da Ilha de São Sebastião, cruzar o mar de Norte a Sul, seis luzes iluminando uma grande circunferência, segundo disse o Vigário ao Reverendo Padre Antonio da Cruz, religioso da Companhia de Jesus, e que seja transmitida a todos, e estes louvem ao Senhor como convém, segundo a profecia: Orietur vobis Sol justitiae, et sanitas in pennis ejus (Para vós nascerá o Sol da justiça, e estará a salvação sob as suas asas - Ml 4,2). Este riacho ficou conhecido como Fonte do Senhor e segundo a lenda, a pedra sobre a qual a imagem foi banhada cresce continuamente, dando origem ao Senhor Bom Jesus de Iguape.

As notícias de acontecimentos miraculosos acompanhando a imagem transformaram Iguape em um centro de peregrinação. O trajeto percorrido pela estátua até chegar em Iguape até hoje é refeito em procissão que atravessa a Jureia-Itatins. São 29 km feitos a pé em meio a um ecossistema intocável com uma beleza natural que encanta não só as pessoas que atravessam a Estação Ecológica por devoção ao santo mas também os aventureiros que aproveitam a abertura da Estação para fazer uma caminhada em meio à Mata Atlântica.

Durante três dias a estação ecológica monta um esquema de segurança e apoio para visitação. É um passeio imperdível que ocorre na primeira semana de Agosto. Durante e após a procissão, conhecida por Travessia da Juréia, a festa fica por conta da cidade de Iguape e suas vilas vizinhas, que nesta época ficam lotadas de eventos e pessoas de todos os lugares do Brasil.

6 de agosto - Dia da Bem-Aventurada Maria Francisca Rubatto

Bem-aventurada
1844-1904

Fundou o Instituto das Irmãs
Capuchinhas de Madre Rubatto

Em Carmanhola, cidade agrícola de intensa atividade pastoral, próxima de Turim, nasceu Ana Maria Rubatto, em 14 de fevereiro de 1844, numa família simples e cristã. Desde a infância, fez voto de virgindade, recusando, mais tarde, um casamento vantajoso. Aos dezenove anos, após algumas tragédias familiares, como a morte de alguns irmãos pequenos e a perda dos pais, deixou a cidade. Foi para Turim, onde residia sua irmã mais velha. 

Durante cinco anos, dedicou-se às obras de caridade, fazendo parte da equipe de auxiliares do futuro são João Bosco, no seu Oratório. Lá, a rica e nobre senhora Scoffone, também pia e caridosa, fez dela sua filha adotiva. Levou-a para viver em sua casa e tornou-a sua conselheira na administração do seu patrimônio. Ao morrer, doou tudo, em testamento, para as obras dos padres do Cotolengo de Turim. Os anos vividos ao lado da senhora Scoffone foram de intenso empenho espiritual e caritativo. 
Após o falecimento da protetora, voltou para junto de sua irmã. No verão de 1883, costumava ir para o balneário de Loano, na Riviera da Ligúria, onde ajudava as famílias e cuidava dos pescadores doentes em suas casas, dando, também, assistência às crianças abandonadas. Nesse local, uniu-se a um grupo de senhoras pias que se dedicavam às obras de caridade. Esse pequeno núcleo iniciava-se numa vida comunitária religiosa, inspirando-se no ideal de são Francisco de Assis, sob a direção do capuchinho padre Angélico. 

Logo o padre percebeu que Ana Maria tinha uma fantástica capacidade organizadora de obras de caridade e que sua vocação missionária era emocionante, só voltada para a salvação das almas. Por isso o próprio padre Angélico incentivou-a a criar um novo Instituto. Em janeiro de 1885, vestiu o hábito religioso franciscano, junto com algumas das senhoras. Nascia a família religiosa das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, depois chamadas Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto, com a finalidade de dar assistência aos enfermos, especialmente em domicílio, e proporcionar a educação cristã da juventude. 

Ana Maria emitiu os segundos votos em 1886, tomando o nome de Maria Francisca de Jesus. Foi eleita a primeira madre superiora do Instituto, cargo que manteve até a morte. 
A sua obra difundiu-se rapidamente na Itália e também na América Latina. A partir de 1892, madre Maria Francisca começou a viajar para o Uruguai, a Argentina e o Brasil. Em 1895, fundou a primeira casa do seu Instituto fora do seu país, no Uruguai. Depois, acompanhou um grupo de religiosas à Missão de Alto Alegre, no Maranhão, Brasil, onde, em 1901, sete delas morreram mártires sob um dos ataques dos índios. A Argentina também recebeu a semente da sua Obra. 

Ao todo, foram vinte casas abertas nos vinte anos do seu governo, todas organizadas e fundadas por madre Maria Francisca. Estava no Uruguai, em Montevidéu, quando adoeceu. Foi um exemplo cristão até no sofrimento. Morreu em 6 de agosto de 1904, nessa cidade, onde foi enterrada na capela da primeira casa fundada em terras estrangeiras. 

A congregação, desde 1964, está presente na Etiópia, África. O papa João Paulo II proclamou-a, solenemente, a "primeira bem-aventurada do Uruguai" em 1993. A celebração da bem-aventurada Maria Francisca Rubatto deve acontecer no dia de sua morte.

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DEFESA DAS APARIÇÕES DE JACAREI

DEFESA ÀS APARIÇÕES DE JACAREÍ


(FEITA POR UM PEREGRINO, AO CONTEMPLAR UM VÍDEO FALANDO MAL DAS MESMAS CITADAS ACIMA, E SOBRE A CARTINHA DO BISPO DA ÉPOCA, ALEGANDO QUE AS APARIÇÕES NÃO ERAM VERDADEIRAS)


NÃO SEI QUEM FEZ MAS PRA MIM ESSA PESSOA MERECIA UMA MEDALHA DE HONRA DE NOSSA SENHORA POR ESTA BELA DEFESA

"Quando você diz que devemos dar ouvidos ao que os padres dizem a respeito das aparições de Jacareí, corre em um ledo engano, pois, a “opinião pessoal” deles é que não pode ser elevado ao nível de “dogma de fé”. As cartas de Dom Nelson são muito citadas pelos que latem que estas Sagradas Aparições são falsas. Portanto, mister se faz alguns esclarecimentos. Há duas cartas oficiais onde este indigitado bispo trata da matéria “aparições”. Uma primeira, publicada em 1996, enquanto o mesmo ainda era bispo de São José dos Campos (diocese a qual pertence Jacareí). Nesta, não há menção alguma ao nome do Profeta Marcos Tadeu Teixeira, muito menos, excomunhão, há somente algumas orientações pastorais. A segunda, publicada em 2007 e republicada em 2011, realmente traz explicitamente o nome do Profeta Marcos Tadeu Teixeira, porém, nesta, a palavra “excomunhão” é sequer mencionada.

Ainda há um probleminha com esta segunda carta. O dito bispo (certamente pela providência de Nossa Senhora) foi transferido para a diocese de Santo André/SP em 2003, e, observem, a segunda carta publicada por ele ocorreu no ano de 2007, quando já havia deixado de ter jurisdição eclesiástica sobre a cidade de Jacareí. Portanto, o mesmo, ao editar esta carta, violou a jurisdição eclesiástica conferida a ele pela Igreja, e, ainda, violentou gravemente a autoridade de Dom Moacir, então, bispo da Diocese de São José dos Campos, que, se quisesse, poderia ter criado o maior caso com isso, pois Dom Nelson desrespeitou frontalmente e atropelou sua autoridade eclesiástica, uma verdadeira afronta. Então eu lhes pergunto, vocês ainda vão dar credibilidade a um documento irregular e eivado de vícios como esse?

Vale lembrar, que não é obrigatório seguir estas cartas circulares dos bispos. Não há heresia nem cisma nisso. Um católico somente pode ser acusado de cismático ou herege se atentar contra os Dogmas de Fé. Que eu saiba, carta circular de bispo não é Dogma de Fé. Como a primeira carta de Dom Nelson não condena as Aparições de Jacareí, e a segunda está irregular, pode-se dizer que não pesa condenação oficial e regular da Igreja sobre estas Santas Aparições. Além do mais, até o presente momento, Dom José Valmor, que atualmente tem jurisdição eclesiástica sobre Jacareí, não fez pronunciamento oficial sobre as mesmas. Documento oficial onde o Profeta Marcos foi excomungado, também é inexistente, portanto, qualquer informação que diga o contrário é fruto de pura “fofoca”.

Ressalto que em Jacareí, realmente, não damos tanta importância aos documentos do Vaticano. O que nós realmente valorizamos é a doutrina que nos foi transmitida pelos santos, como Santo Afonso, São Luiz, Santa Teresa, São João da Cruz, etc... Outro adendo que gostaria de acrescentar, diz respeito ao fato da obrigatoriedade ou não das Sagradas Mensagens Celestiais. A orientação predominante entre os teólogos católicos, de que não é obrigatório seguir as Aparições de Nossa Senhora, se funda em meras opiniões pessoais de alguns clérigos a respeito do assunto. Esta orientação não tem o caráter da infalibilidade papal e muito menos é um Dogma de Fé. Realmente, o catecismo atual traz algo nesse sentido, mas vale lembrar que o mesmo não recebeu o caráter da infalibilidade pelo Concílio Vaticano II. Bem ao contrário do Santo Catecismo do Concílio de Trento. Este sim, recebeu o caráter de infalível. Ocorre que nossa amada Igreja há muito se transviou de uma tradição bíblica milenar, através da qual o “Deus dos Exércitos” sempre manifestou sua vontade ao povo de Israel por meio de suas aparições aos profetas (mesmo fenômeno que ocorre com o, também, profeta Marcos Tadeu, pois os fenômenos miraculosos e de aparições que ocorrem naquele Santuário, são da mesma espécie dos verificados na Sagrada Bíblia).

Ora, nos tempos bíblicos não era através dos fariseus, saduceus, príncipes e doutores da lei (a Igreja oficial da época) que Deus dava as suas diretrizes ao povo eleito, mas sim, através dos profetas, em outras palavras, dos videntes. Nos primórdios do cristianismo, também ocorria assim, pois, a própria origem da nossa amada Igreja se funda nas “aparições” de Jesus aos apóstolos e discípulos. Então, por que esta tradição bíblica foi quebra? Será que é porque as aparições aos profetas cessaram? Errado, pois nos últimos 100 anos ocorreram mais de 1000 aparições de Nossa Senhora, dos santos e anjos, e até de Deus.
A pergunta correta é, por que o clero tenta abafar isso, pois grande parte, senão todas, destas aparições também foram acompanhadas de sinais miraculosos, como, curas inexplicáveis pela ciência, sinais na natureza, etc... Se Deus usava deste expediente nos tempos bíblicos, certamente deveria continuar a usá-lo nos tempos do catolicismo, pois uma grande verdade que a Teologia professa é que Deus é imutável. Não citarei as passagens bíblicas onde Deus manifesta sua vontade através dos videntes/profetas, pois se assim fizesse, teria que citar a Bíblia inteira, pois a própria formação e ensinamentos nela transmitidos se dão por este meio. Gostaria apenas de citar um pequeno exemplo de qual atitude deveremos tomar frente às Aparições de Jacareí, tomando por base a Bíblia. Saulo, quando se dirigia à cidade de Damasco e Jesus lhe “aparece” exclama: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9, 6). Naquela ocasião, Jesus disse a ele para procurar os fariseus e saduceus (a Igreja oficial da época)? Não! O ordenou que entrasse na cidade de Damasco e ali lhe seria dito o que deveria fazer. Beleza. E quem Deus enviou para Saulo? Os fariseus e saduceus (a Igreja oficial da época)? Não! Mas Ananias, um vidente. Como eu sei que Ananias era um vidente? As Sagradas Escrituras nos contam que foi uma aparição de Jesus que disse para ele ir procurar Saulo. É só conferir At 9, 10-16ss.

Outro exemplo foi Judas Iscariotes; este preferiu errar com a Igreja oficial da época (lembra né, fariseus e saduceus) que acertar sem ela. Bom... Errou mesmo! E segundo alguns santos místicos, como Maria de Ágreda, sua alma se encontra no inferno. Assim, a posição teológica defendida pela maioria dos teólogos atuais, de que as aparições não são obrigatórias, falando em termos de estudo teológico da atualidade, é perfeitamente passível de questionamento, e, inclusive, daria uma boa tese de doutoramento. É um posicionamento que pode ser mudado. Não é Dogma de Fé. Gostaria de finalizar este ponto dizendo o seguinte. Jesus tolerou para sempre aquela Igreja oficial da época (o judaísmo) que rejeitou o projeto que suas aparições aos Apóstolos (que também eram videntes) propunha? Claro que não!!! Por causa disso, Deus se retirou do meio daquela Igreja e passou a habitar no meio dos seus videntes, os apóstolos e discípulos, e, assim, surgiu a nossa amada Igreja Católica (Mt 21, 39-45).

Não é objetivo do Profeta Marcos Tadeu, nem de sua Ordem e muito menos de nós, a Milícia da Paz (formada por todos os fiéis seguidores daquele Santuário) provocar um cisma na Igreja. Nós apenas denunciamos os erros (prerrogativa esta, conferida aos leigos pelo próprio Concílio Vaticano II), lutamos para que a devoção a Nossa Senhora, aos santos e anjos seja colocada em seu devido lugar, e que as suas mensagens, e as dos demais santos, e até as de Deus, seja acolhida como nos tempos Bíblicos, pois acreditamos que se isto não for feito, irá se abater gigantescos cataclismos sobre a Terra, de uma tal magnitude que nunca houve, nem jamais haverá. Acreditamos que esta “palavra de Deus” transmitida nas aparições é o caminho e a única forma de salvar o mundo, e qualquer obra, ou pessoa, que ensine ou faça diferente do que elas dizem, é desprezada por nós. O motivo para isto é muito simples. Desde tempos remotos, as Aparições de Nossa Senhora (inclusive as não aprovadas pela Igreja) vêm dizendo o que aconteceria ao mundo se esta “palavra de Deus” não fosse obedecida. Resultado, tudo o que elas disseram, em um passado remoto, está se cumprindo na atualidade. Então, não há outra conclusão a se fazer, a não ser admitir que elas eram verdadeiras, e que o clero errou. Aliás, o histórico de erro do clero é algo realmente interessante. Basta citar a condenação que pesou durante 20 anos sobre as Santas Aparições de Jesus Misericordioso à Santa Faustina, e não foi por um “bispozinho” qualquer. Foi pelo próprio papa da época. Se não fosse a atuação do então Cardeal Karol Józef Wojtyła, futuro Papa João Paulo II, estas aparições estariam condenadas até os tempos atuais, e, certamente, você seria um grande opositor delas, não é? Infelizmente, como atualmente o número de Cardeais, e clérigos em geral, com este nível de espiritualidade é praticamente nulo... tadinha das aparições... snif. Praticamente nenhum deles entende de Teologia Mística, o estudo apropriado para se avaliar as aparições e estudá-las.

Além do mais, as aparições de La Salette, Lourdes e Fátima, para quem conhece mais a fundo sua história, verá que elas na verdade não foram aceitas pelo clero. Muito pelo contrário, este as combateu com todas as suas forças. Na realidade, o que ocorreu, é que os fiéis praticamente as fizeram descer goela abaixo na garganta do clero, de tal modo, que eles não tiveram outra opção a não ser aprová-las. E, mesmo nestas que foram aprovadas, o estrago que o clero fez é algo incomensurável. Não as divulgou como deveria; se o corpo incorrupto de Santa Bernadete estivesse no Santuário de Lourdes iria converter milhões de fiéis, no entanto está praticamente escondido no convento de Nevers; o corpo incorrupto de Santa Jacinta foi escondido dos fiéis; a esmagadora maioria dos vaticanistas da Itália é de acordo que, até hoje, o terceiro segredo de Fátima não foi revelado em sua integralidade; a consagração da Rússia não foi feita como Nossa Senhora pediu até os dias atuais, etc... E isso, só para citar os danos que me vem à mente neste momento.

No Santuário das Aparições de Jacareí, o Profeta Marcos está resgatando tudo aquilo que a Igreja e a sociedade tanto se esforçaram para extinguir, os escapulários, medalhas, mensagens, enfim, a salvação do mundo que Nossa Senhora nos revelou e ofereceu com tanto amor ao longo de suas aparições na história. Sem dúvida, lá está se cumprido a passagem da Escritura na qual se diz: “Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas...” Mt 13,52 É uma nova aparição que resgata todas, até as mais antigas. Portanto, se ainda quiserem seguir a doutrina da cabeça deste cara de que não precisamos de aparições, o problema é de vocês. Aliás, se formos pensar bem, porquê Deus, Nossa Senhora os anjos e os santos apareceriam, né? Afinal de contas, nosso mundo está uma verdadeira maravilha, não é? Não temos problemas de droga, prostituição, corrupção, degradação moral, depressão, decadência da Igreja, violência, roubos, assassinatos, guerras, miséria..., todos os sacerdotes são verdadeiros Serafins de santidade, enfim, o Vaticano está dando conta do recado... Só não está apresentando um desempenho melhor devido a um “pequeno” probleminha de tráfico de influência entre os altos clérigos, desvio de verbas do banco do Vaticano, looby gay entre os padres, pedofilia generalizada, um papa progressista e comunista..., mas, afinal de contas, são probleminhas fáceis de serem solucionados, né? É... Em um mundo maravilhoso e em ótimo funcionamento como esse, realmente não entendo o motivo de tantas aparições..."