quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

4 de dezembro - Dia de São João Damasceno

675-749

João Damasceno é considerado o último dos santos Padres orientais da Igreja, antes que o Oriente se separasse definitivamente de Roma, no ano 1054. Uma das grandes figuras do cristianismo, não só da época em que viveu, mas de todos os tempos, especialmente pela obra teológica que nos legou. 


Seu nome de batismo era João Mansur. Nasceu no seio de uma família árabe cristã no ano 675, em Damasco, na Síria. Veio daí seu apelido "Damasceno" ou "de Damasco". Nessa época a cidade já estava dominada pelos árabes muçulmanos, que acabavam de conquistar, também, a Palestina. No início da ocupação, ainda se permitia alguma liberdade de culto e organização dos cristãos, dessa forma o convívio entre as duas religiões era até possível. A família dos Mansur ocupava altos postos no governo da cidade, sob a administração do califa muçulmano, espécie de prefeito árabe. 

Dessa maneira, na juventude, João, culto e brilhante, se tornou amigo do califa, que depois o nomeou seu conselheiro, com o título de grão-visir de Damasco. Mas como era, ao mesmo tempo, um cristão reto e intransigente com a verdadeira doutrina, logo preferiu se retirar na Palestina. Foi ordenado sacerdote e ingressou na comunidade religiosa de São Sabas, e desde então viveu na penitência, na solidão, no estudo das Sagradas Escrituras, dedicado à atividade literária e à pregação. 


Saía do convento apenas para pregar na igreja do Santo Sepulcro, para defender o rigor da doutrina. Suas homilias, depois, eram escritas e distribuídas para as mais diversas dioceses, o que o fez respeitado no meio do clero e do povo. Também a convite de João V, bispo de Jerusalém, participou, ao seu lado, no Concílio ecumênico de Nicéia, defendendo a posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. 

O valor que passou para a Igreja foi através da santidade de vida, da humildade e da caridade, que fazia com que o povo já o venerasse como santo ainda em vida. Além disso, por sua obra escrita, sintetizando os cinco primeiros séculos de tentativas e esforços de sedimentação do cristianismo. 

Suas obras mais importantes são "A fonte da ciência", "A fé ortodoxa", "Sacra paralela" e "Orações sobre as imagens sagradas", onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos iconoclastas. Por causa desse livro, João Damasceno foi muito perseguido e até preso pelos hereges. Até mesmo o califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava, junto com os cristãos, contra ele. Mandou prendê-lo a aplicar-lhe a lei muçulmana: sua mão direita foi decepada, para que não escrevesse mais. 





Mas pela fé e devoção que dedicava à Virgem Maria tanto rezou que a Mãe recolocou a mão no lugar e ele ficou curado. 

E foram inúmeras orações, hinos, poesias e homilias que dedicou, especialmente, a Nossa Senhora. 

Através de sua obra teológica foi ele quem deu início à teologia mariana. Morreu no ano 749, segundo a tradição, no Mosteiro de São Sabas. 

Tão importante foi sua contribuição para a Igreja que o papa Leão XIII o proclamou doutor da Igreja e os críticos e teólogos o declararam "são Tomás do Oriente". 

Sua celebração, no novo calendário litúrgico da Igreja, ocorre no dia 4 de dezembro.

São João Damasceno

De família nobre de Damasco, nascido em 675, João Mansur era filho de pais cristãos de origem árabe. Eles conviviam muito bem com os muçulmanos, que tinham tomado a Síria, seu país, e a Palestina, mas ainda toleravam o cristianismo. Ele e seu pai eram amigos do Califa, chefe supremo religioso e político, e exerciam importantes cargos de administração pública. Por sua inteligência, João chegou a ser Grão-vizir, isto é, conselheiro pessoal do Califa.

Mas a vida religiosa sempre lhe tocou mais profundamente a alma. Para viver o Evangelho em sua integridade, distribuiu seus bens entre os pobres e recolheu-se no monastério da comunidade religiosa de São Sabas, na Palestina, próximo à Jerusalém. Aí dedicou-se ao silêncio, às orações, às penitências e, mais que tudo, a profundos estudos das Escrituras.
    Ordenou-se sacerdote, mas só se ausentava do monastério para pregar na igreja do Santo Sepulcro. Ao retornar, escrevia suas homilias e distribuía às demais dioceses, onde eram sempre muito bem aceitas. Exortava divinamente à Sã Doutrina.

    Escrevia profusamente e entre suas principais obras nos deixou "A Fonte da Ciência", "A Fé Ortodoxa", "Sacra Paralela", e "Orações sobre as Imagens Sagradas". Nessa última fez uma belíssima defesa do uso de imagens como uma legítima manifestação de devoção e fé. Foi ele que registrou a grande diferença entre veneração e adoração.

    E argumentou:


    "Em outros tempos, Deus não havia sido representado nunca em imagem, sendo incorpóreo e sem rosto. Mas dado que agora Deus foi visto na carne e viveu entre os homens, eu represento o que é visível em Deus.

    Eu não venero a matéria, mas o Criador da matéria, que se fez matéria por mim e Se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria... 

    Não é talvez matéria o lenho da cruz três vezes bendita?... E a tinta e o livro santíssimo dos Evangelhos, não são matéria? O altar salvífico que nos dispensa o pão da vida não é matéria?... E antes que nada, não são matéria a carne e o sangue do meu Senhor?

    Ou se deve suprimir o caráter sagrado de tudo isso, ou se deve conceder à Tradição da Igreja a veneração das imagens de Deus e a dos amigos de Deus que são santificados pelo nome que levam, e que por esta razão estão habitados pela graça do Espírito Santo.

    Não se ofenda portanto a matéria: esta não é desprezível, porque nada do que Deus fez é desprezível." (Contra os caluniadores de imagens)



    Mas, como os muçulmanos não toleravam o uso de imagens, e já estavam invadindo lugares sagrados para as destruir, alguns líderes religiosos incitaram o Califa de Damasco contra São João Damasceno, que, segundo eles, de amigo haveria se tornado um 'traidor'.

    Enfurecido, sabendo que a força de São João Damasceno estava em seus escritos, o Califa ordenou que sua mão direita fosse cortada. Mas, por intervenção de Nossa Senhora, de quem era fervoroso devoto, sua mão foi miraculosamente restituída durante um sono profundo que teve. E por seus escritos foi reconhecido como Doutor da Igreja e o último Padre do Oriente, posto que depois dele não houve mais nenhum grande figura de importância teológica na Igreja de Constantinopla, até que ela se separasse de Roma, em 1054.

    Foi pela obra de São João Damasceno que teve início a teologia Mariana, ou a Mariologia. Ele foi o primeiro a usar o termo 'Imaculada', para se referir à concepção miraculosa de Maria Santíssima. Sobre Maria sempre Virgem, nos deixou essas palavras:



    "Ó Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente irrepreensível! Vós levastes uma vida agradável a Deus e digna d'Aquela de quem vos tornastes pais.

    Tendo vivido com pureza e santidade, gerastes a joia da virgindade, ou seja, Aquela que foi virgem antes do parto, virgem no parto e virgem depois do parto. Aquela que é a Virgem por excelência, virgem para sempre, virgem perpétua no espírito, na alma e no corpo." (Homilia sobre a Natividade)



    É ele também que dá início aos argumentos que nos levaria ao Dogma da Mãe de Deus:



    "Ó Virgem, claramente prefigurada na sarça, nas tábuas escritas por Deus, na arca da lei, no vaso de ouro, no candelabro, na mesa e na vara de Aarão que floresceu. De Vós, com efeito, procede a chama da divindade, o Verbo e manifestação do Pai, o maná suavíssimo e celestial, o nome inefável que está acima de todo nome, a luz eterna e inacessível, o celeste pão de vida. De Vós brotou corporalmente aquele fruto que não é resultado do trabalho de nenhum cultivador." (Homilia sobre a Dormição de Maria)



    É dele também as primeiras palavras mais consistentes que nos levariam ao Dogma da Assunção de Maria. Palavras essas que foram usada por Pio XII ao definir essa verdade de fé:



    "Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. [...] Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus."

    São João Damasceno defendeu também a veneração das relíquias dos Santos: 


    "Antes de tudo (veneramos) aqueles entre quem Deus descansou, Ele, Único Santo que mora entre os santos (cf. Is 57, 15), como a Santa Mãe de Deus e todos os Santos. Estes são aqueles que, enquanto possível, tornaram-se semelhantes a Deus com sua vontade e pela inabitação e a ajuda de Deus; são chamados realmente de deuses (cf. Sal 82, 6), não por natureza, mas por contingência, assim como o ferro incandescente é chamado de fogo, não por natureza, mas por contingência e por participação do fogo. Diz, de fato: ‘Sereis santos porque eu sou santo’ (Lv 19, 2)."


    E registrou:


    "Deus, que é bom e superior a toda bondade, não se contentou com a contemplação de Si mesmo, mas quis que houvesse seres beneficiados por Ele, que pudessem chegar a ser partícipes de Sua bondade: por isso, criou do nada todas as coisas, visíveis e invisíveis, inclusive o homem, realidade visível e invisível. E o criou pensando e realizando-o como um ser capaz de pensamento enriquecido pela palavra e orientado para o Espírito... É necessário deixar-se encher de estupor por todas as obras da Providência, louvá-las todas e aceitá-las todas, superando a tentação de assinalar nelas aspectos que a muitos parecem injustos ou iníquos, e admitindo, ao contrário, que o projeto de Deus vai mais além da capacidade cognoscitiva e compreensiva do homem, enquanto que, no entanto, só Ele conhece nossos pensamentos, nossas ações e inclusive nosso futuro."


    Conta-se que o Califa, ao saber que sua mão havia sido restituída, lhe pediu perdão e não permitiu que ninguém mais lhe perturbasse. 

    Escreveu também orações, hinos e poesias, muitos deles dedicados a Virgem Santíssima.

    Morreu em 749, no monastério de São Sabas, o mesmo lugar que havia escolhido para viver quando ainda jovem.

    O Concílio Ecumênico de Niceia de 787, vai confirmar todos os seus escritos a respeito do uso das imagens.
    Por sua inteligência singular, séculos mais tarde recebeu o título de "São Tomás do Oriente", por ter sido a fonte de tantos esclarecimentos sobre as revelações de Deus.

Sermão de São João Damasceno sobre a Assunção da Virgem Maria

“Hoje, a Arca Santa e animada do Deus vivo, tendo concebido o seu Criador, repousa no Templo do Senhor, o Senhor que não foi criado pela mão do homem. Davi, seu antepassado, a exalta; com ele, os Anjos formam coros, os Arcanjos a celebram, as Virtudes a glorificam, os Principados vibram de contentamento, as Potestades estão em plena alegria, as Dominações se deleitam e regozijam, os Tronos a festejam, os Querubins a louvam, os Serafins proclamam a sua glória.
Hoje, o Éden recebe o paraíso espiritual do novo Adão, onde nossa condenação foi revogada; a árvore da vida, plantada; e nossa nudez recoberta.

Hoje, a Virgem imaculada, intocada, preservada de qualquer paixão do mundo, porém, formada pelos desígnios celestes, sem retornar à Terra, habita – céu vivo – nas moradas celestes.
Aquela que para todos nós foi a fonte da verdadeira vida, como poderia ser submetida à morte? É certo que ela fora submetida à Lei estabelecida pelo próprio Filho: como filha do velho Adão, esteve sujeita à antiga condenação – assim como o próprio Filho, que é a Vida personificada, não a rejeitou -, mas, como Mãe do Deus Vivo, ela foi, justamente, erguida até Ele.

Eva, que aceitou as sugestões da serpente, foi condenada às dores do parto e à morte. Seu corpo foi deposto nas entranhas da terra.
Contudo, a Virgem Maria, verdadeiramente bem-aventurada, sempre profundamente imersa e em harmonia com a Palavra de Deus, concebeu pela ação do Espírito Santo e, diante da espiritual saudação do Arcanjo, sem volúpia ou união carnal, tornou-se a Mãe do Filho de Deus. Ela é aquela que O colocou no mundo, sem dor, aquela que se consagrou inteiramente a Deus. Com que poderes a morte conseguiria devorá-la? Como poderiam os infernos recebê-la? Como conseguiria a corrupção invadir este corpo que foi o templo da verdadeira Vida?
O caminho do céu estava preparado para ela; direto, aplanado e fácil. Se Jesus Cristo, que é a Verdade e a Vida dissera: ‘No lugar onde eu me encontro, aí estará, igualmente, o meu servidor’, como não estaria ao seu lado, gloriosa, Maria, a Sua Santa Mãe?”

Sermão de São João Damasceno (Oração 2, 2),
 Doutor da Igreja (675 – 749 d.C.)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

12 de novembro Santa Lívia, Mártir






Santa Lívia, Mártir — História Completa 

A tradição cristã antiga preserva o nome de Santa Lívia entre as jovens que derramaram seu sangue por Cristo nos primeiros séculos da Igreja. Embora poucos documentos tenham sobrevivido, o que chegou até nós é suficiente para revelar a grandeza de sua fé e o perfume espiritual de sua vida. 


1. Origem e juventude 

Lívia nasceu provavelmente no século III, em uma família cristã que vivia sua fé de modo simples, mas profundo. 

Desde muito jovem, ela demonstrava: 
grande amor pela oração, 
espírito de serviço aos pobres, 
pureza de vida, 
fidelidade absoluta ao Evangelho. 

A comunidade a lembrava como uma jovem serena, de coração compassivo, cuja fé transparecia no olhar e nas atitudes. 

2. Tempo de perseguição 

Durante o reinado de Diocleciano (284–305), uma das mais violentas perseguições contra os cristãos foi desencadeada. A simples confissão de fé em Cristo era suficiente para ser levada aos tribunais. 

Lívia, ainda muito jovem, foi denunciada por se recusar a oferecer incenso aos ídolos romanos. Levada diante das autoridades, manteve-se firme e declarou: 

“Sou de Cristo e somente Ele eu sirvo.” 

3. Testemunho diante dos juízes 

Os registros mencionam que tentaram convencê-la: 
com promessas de riqueza, 
com ameaças de tortura, 
com a pressão de renegar a fé para preservar a vida. 

Mas Lívia permaneceu inquebrável. Sua serenidade impressionava até mesmo os soldados. 

4. Martírio 

Vendo que não a fariam desistir, os juízes a condenaram ao martírio. Os relatos apontam que ela morreu em paz, pronunciando o nome de Jesus enquanto entregava sua vida. 

Recebeu assim a palma da vitória, símbolo dos mártires que não se deixam vencer pelo medo ou pela violência. 

5. Memória e veneração 

Com o tempo, seu nome entrou no culto cristão local, sendo celebrada como: 
modelo de pureza, 
coragem juvenil, 
discípula fiel que preferiu Cristo à própria vida.

Hoje, Santa Lívia é invocada especialmente por: 
jovens, meninas que desejam vida pura e firme na fé, 
cristãos perseguidos por causa de sua religião. 

Não há uma data universalmente fixada, mas diversas tradições a celebram entre: 

22 de junho,
11 de julho, 
12 de novembro,
dependendo da região. 

Oração a Santa Lívia Mártir

Santa Lívia, virgem fiel e corajosa,
que preferiste perder a vida a perder Cristo,
intercede por nós, jovens e adultos,
para que sejamos firmes na fé e puros de coração.
Ensina-nos a colocar Deus acima de tudo,
e a viver com amor, humildade e coragem.
Santa Lívia Mártir, rogai por nós.
Amém.

3 de dezembro - Dia de São Galgano Guidotte

1148-1181

A cidade de Sena era uma fortificação feudal com o nome de Chiusdino em 1148. Pertencia ao bispo Hugo Volterra quando Galgano Guidotte nasceu nesse ano. Guidotte e Dionísia, seus pais, eram da pequena nobreza da cidade e católicos fervorosos. 


Ainda muito pequeno, Galgano ficou órfão de pai. Foi educado pela mãe, que o levou à devoção de são Miguel Arcanjo, que possuía. No tempo apropriado, tornou-se cavaleiro e, abandonando a educação religiosa recebida, passou à uma vida desregrada voltada para os vícios e prazeres mundanos. 

Sem uma data precisa e conforme a tradição, o jovem cavaleiro Galgano, após sonhar duas vezes com são Miguel Arcanjo, se converteu completamente. 

No primeiro sonho, São Miguel aparecia se dirigindo a uma senhora, que Galgano reconheceu ser sua mãe, e pedia que ela lhe desse o filho para o alistar na milícia celeste. A mãe, cheia de alegria, consentia. 


No segundo, São Miguel o convencia a mudar de vida. E depois, o glorioso Arcanjo o conduzia pela mão a fim de o consagrar à milícia do céu. Entre um e outro, impressionado, Galgano comentava muitas vezes com a mãe. 

Mas foi sobre o cavalo que um fato extraordinário lhe aconteceu. O cavalo se recusou duas vezes seguidas a seguir no caminho que iam, conduzindo Galgano para o lugar que vira nos dois sonhos. 

Lá, ouviu uma voz pedindo que abandonasse a vida de prazeres, que fincasse sua espada numa rocha e construísse, ao redor, uma comunidade religiosa. 

Assim foi que Galgano fincou sua espada, que penetrou na rocha como se ela fosse de cera, onde permanece até hoje como um dos muitos mistérios que o envolvem. 

Galgano vendeu tudo o que tinha e se retirou para aquele local em 1180. Durante onze meses viveu como eremita, jejuando e fazendo penitências. Na ocasião, sua mãe fez uma tentativa para ter o filho de volta ao lar. Propôs que se casasse com uma jovem bela e rica. Porém, ao invés disso, converteu a jovem, que também se voltou para a vida religiosa. Ela fundou um convento com a ajuda do bispo Voltera, em torno da pedra com a espada fincada, e o povo chamou de Abadia "Redonda". 

Enquanto isso, Galgano seguiu em peregrinação a Roma, onde esteve com o papa Alexandre III, e lhe contou tudo o que acontecera. Regressou e ingressou na "Redonda" como irmão oblato, vivendo na oração e penitência. Protegido por são Miguel Arcanjo, santificou-se rapidamente. Alguns monges cistercienses, de passagem pela região, colocaram a abadia "Redonda" sob as regras da Ordem. 

Morreu em 30 de novembro de 1181, aos trinta e três anos de idade, e foi sepultado ao lado da espada fincada na rocha, no centro da igreja da Abadia "Redonda", em Sena, Itália. Logo o local se tornou a meta de muitas peregrinações, local que até hoje guarda o mistério vivido por ele. 


Quatro anos depois, como resultado daquele que é considerado o mais antigo "processo de canonização" da Igreja, Galgano Guidotte foi proclamado santo. Também no mesmo ano, 1185, a Abadia "Redonda" de São Galgano foi consagrada como Santuário. O culto, aberto para os fiéis de todo o mundo, é celebrado no dia 3 de dezembro.

3 de dezembro - Dia de São Francisco Xavier

São Francisco Xavier
1506-1552


A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os apóstolos que se espalharam pelo mundo após a ressurreição de Jesus. Durante o período do descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China. 

Francisco Xavier, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu no reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projetado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com dezoito anos, na Universidade de Paris. 

Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu e sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e lecionava na mesma universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho e de idéias objetivas e tudo mudou. Tratava-se do futuro santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas.


Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. 

Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projetadas em si por sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: 

"De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?" (Mc 8, 36). 

Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, Jesus Cristo. 

Os papéis se inverteram e Inácio passou a ser mestre de seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Francisco, por fim, se retirou por quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. 

Celebrou sua primeira missa com trinta e um anos e se tornou co-fundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos doentes leprosos, doença de então, segregados pela sociedade. 

Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de recolher. 

Foi então que D. João III, rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio, com novecentos passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. 

Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. 

Finalmente, chegaram ao porto de Goa. 

Desde então, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. 

Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, batizava as crianças e os adultos. 

Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro sacerdote para tocar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região. 

Acabou saindo das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. 

Numa delas, na ilha de Sacian, adoeceu e uma febre persistente o debilitou, levando-o à morte, em 3 de dezembro de 1552, com apenas quarenta e seis anos de idade. A Igreja o beatificou em 1619, canonizando-o em 1622. 


Celebrado no dia de sua morte, como exemplo do missionário moderno, são Francisco Xavier foi, com toda justiça, proclamado pela Igreja patrono das missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de "são Paulo do Oriente".

1506 – 2006:
500 anos do nascimento de São Francisco Xavier

A Novena da Graça a São Francisco Xavier aponta para uma devoção popular engajada que nos enxerta no coração da Trindade e educa para a lógica do dom
Estêvão Raschietti

ão Francisco Xavier foi declarado Beato em 1619 e, em 12 de março de 1622, canonizado junto a Inácio de Loyola. No século XVII e XVIII, foi venerado como padroeiro dos viajantes marítimos e dos anunciadores do Evangelho, padroeiro contra a peste e para uma boa morte. Em 1748, foi declarado padroeiro das Índias e de todo o Oriente. Em 1917, foi declarado padroeiro de todas as missões católicas junto a Santa Teresinha do Menino Jesus. A Igreja celebra sua memória na data do aniversário de sua morte, dia 3 de dezembro.

Xavier é com certeza um dos santos mais conhecidos. Muitas igrejas, capelas e altares foram a ele consagrados. A devoção popular dirige-se a esse santo particularmente através da Novena da Graça. Essa Novena a São Francisco Xavier surgiu de um fato histórico, acontecido em 11 de dezembro de 1633. No final de uma festa no palácio real de Nápoles (Itália), seis operários estavam desmontando um altar projetado pelo padre jesuíta Marcelo Mastrilli. Um destes operários, que trabalhava numa escada muito comprida, deixou escapar um martelo que acabou atingindo a cabeça do Pe. Mastrilli.

Socorrido e transportado ao colégio jesuíta, o religioso recebeu todas as curas possíveis dos médicos, mas em vão. Pe. Mastrilli agravou-se ao ponto que, depois de 21 dias, em 2 de janeiro de 1634, agonizava. No entanto, na manhã de quarta-feira, 4 de janeiro, Pe. Mastrilli já estava no altar celebrando a Santa Missa. O que tinha acontecido? O próprio padre explica que, antes de receber a unção dos enfermos, tinha feito um voto diante do superior, Pe. Carlo Di Sangro, de partir como missionário para o Oriente caso saísse dessa.

Em seguida, pediu ao seu confessor para trazer ao quarto uma imagem de São Francisco Xavier. Colocando na altura da garganta uma pequena relíquia do santo, rezou para que lhe concedesse a Comunhão antes de morrer. Com efeito, ele pôde receber a Comunhão, rodeado pelos confrades.

Depois de alguns instantes ouviu chamar: - “Marcelo! Marcelo!”.

Dirigindo o olhar para a imagem de São Francisco Xavier, viu uma pessoa vestida como um romeiro, com as aparências do santo, que lhe disse:

- “Pois bem, o que você quer fazer? Quer morrer ou partir como missionário para a Índia?”.
Pe. Mastrilli respondeu que desejava cumprir com a vontade de Deus. “Não lembra – prosseguiu, então, o santo – que ontem, com a permissão do superior, fez o voto de ir para o Oriente, se Deus o tivesse curado?”.

Com a sua resposta afirmativa, o santo continuou:

“Portanto, com alegria, repita comigo essas palavras...”
O santo fez-lhe repetir a fórmula dos votos religiosos, acrescentando a promessa de partir como missionário e o pedido do martírio.

Enfim acrescentou: - “Agora sarou.

Agradeça a Deus por um dom tão grande e, como sinal de adoração, beije as cinco chagas do crucifixo”. Todos puderam constatar que Pe. Mastrilli estava completamente curado. Partiu para o Oriente e três anos depois, em 1637, morreu mártir em Nagasaki, no Japão. Tinha 34 anos. Grato pela cura obtida, conservou por São Francisco Xavier uma grande devoção, que procurou difundir entre aqueles que encontrava. Muitos testemunharam as graças recebidas por São Francisco Xavier e assim difundiu-se esta devoção da “Novena da Graça”. Um episódio, envolvendo Santa Teresinha do Menino Jesus, reforça a convicção em favor da “Novena da Graça”.

A irmã dela, Maria Luisa, ao processo de beatificação da santa carmelita, fez esta declaração:

- “A caridade fazia-lhe desejar fazer o bem também depois da sua morte.
Esse pensamento a preocupava. Em 1896 (a santa morreu um ano depois), de 4 a 12 de março, fez a novena a São Francisco Xavier.

Ela me disse: ‘Pedi a graça de fazer o bem também depois da minha morte, e agora estou certa de tê-la obtida, porque, com essa novena, obtém-se tudo o que se deseja’”.
A novena da Graça se reza, particularmente, de 4 a 12 de março.

Essa oração tem um significado muito profundo: a graça obtida por intercessão de São Francisco Xavier se “paga” com o compromisso missionário.
O dom recebido por Deus deixa de ser uma graça para si e se torna, por sua vez, um dom para os outros e para o mundo.

NOVENA DA GRAÇA

Contigo, SÃO FRANCISCO XAVIER, adoro a Deus Pai, agradecendo-lhe pelos imensos dons e graças que a ti concedeu em vida e pela glória que, hoje, tens no céu. E te suplico, de todo coração, que intercedas junto ao Senhor, para que Ele me dê a graça de participar da salvação de todas as pessoas, de viver e morrer santamente e, neste momento, de (pede-se a graça), segundo Sua vontade e para Sua maior glória.
Amém

Pai nosso – Ave Maria – Glória ao Pai

Roga por nós, São Francisco Xavier

Para que sejamos dignos de participar da missão de Deus no mundo.


Oremos: Ó Deus, criador e Senhor do universo, tu que criaste o homem à tua imagem e semelhança e o redimiste com o sangue precioso de teu Filho, olha para quantos ainda não te conhecem e, pela intercessão dos santos e da Igreja, não permitas que permaneçam longe de Jesus, nosso Senhor. Tu, que és misericordioso, perdoa toda idolatria e infidelidade, e faze com que todos conheçam aquele que tu enviaste, Jesus Cristo, teu Filho e nosso Senhor. Ele é a nossa vida, salvação e ressurreição; por Ele fomos libertados e redimidos.

A Ele a glória por todos os séculos.

Amém
(Oração composta por São Francisco Xavier)
Missionários Xaverianos

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

2 de dezembro - Dia de Santa Bibiana ou Viviana

Santa Bibiana ou Viviana
Século IV



Na época em que Roma estava sob o poder o imperador Juliano, "o Apóstata", aconteceu um dos últimos surtos de perseguição fatal aos cristãos, entre 361 e 363. 

O tirano, que já tinha renegado seu batismo e abandonado a religião, passou a lutar pela extinção completa do cristianismo. 

Começou substituindo todos os cristãos que ocupavam empregos civis por pagãos, tentando colocar os primeiros no esquecimento. 

Mas não parou por aí. Os mais populares e os mais perseverantes eram humilhados, torturados e, por fim, mortos. 


No ano 363, a família de Bibiana foi executada na sua presença, porque não renunciou à fé cristã. Flaviano, seu pai, morreu com uma marca na testa que o identificava como escravo. Defrosa, sua mãe foi decapitada. 

Ela e a irmã Demétria, antes, foram levadas para a prisão. 

A primeira a morrer foi Demétria, que perseverou na fé após severos suplícios na presença da irmã. 

Por último, foi o martírio de Bibiana, para a qual, conforme a antiga tradição, o governador local usou outra tática. Foi levada a um bordel de luxo para abandonar a religião ou ser prostituída. Mas os homens não conseguiam aproveitar-se de sua beleza, pois a um simples toque eram tomados por um surto de loucura. 

Bibiana, então, foi transferida para um asilo de loucos e lá ocorreu o inverso, os doentes eram curados. 


Sem renegar Cristo, foi entregue aos carrascos para ser chicoteada até a morte e o corpo jogado aos cães selvagens. Outro prodígio aconteceu nesse instante, pois os cães não o tocaram. Ao contrário, mantiveram uma distância respeitosa do corpo da mártir. 

Os seus restos, então, foram recolhidos pelos demais cristãos e enterrados ao lado dos familiares, num túmulo construído no monte Esquilino, em Roma. 

Finalmente, a perseguição sangrenta acabou. A história do seu martírio ganhou uma devoção dos fieis. Santa Bibiana passou a ser incovada contra os males de cabeça e as doenças mentais e a epilepsia. 

Seu túmulo tornou-se meta de peregrinação e o seu bonito nome escolhido na hora do batismo. Também a conhecida variação, não menos bela, de Viviana se tornou popular na cristandade.



Coluna onde Bibiana foi torturada
Igreja de Santa Bibiana - Roma

A veneração era tão intensa que o papa Simplício mandou construir sob sua sepultura uma pequena igreja dedicada a ela, no ano 407. 

O culto ganhou um reforço maior ainda quando, por volta de 1625, foi erguida sob as ruínas da antiga igreja uma basílica. Nela, as relíquias de santa Bibiana se encontram guardadas debaixo do altar-mor. 

Gian Lorenzo Bernini
altar-mor da Igreja de Santa Bibiana - Roma

Além de ser uma das padroeiras da belíssima cidade de Sevilha, na Espanha, santa Bibiana é, também, padroeira da diocese de Los Angeles, nos Estados Unidos. 

É celebrada no dia 2 de dezembro, considerado o de sua morte pela fé em Cristo.





Origens
O que se sabe sobre Santa Bibiana é que ela viveu durante um dos últimos suspiros da perseguição do império romano contra os cristãos. Aconteceu entre os anos 361 e 363, sob as ordens do imperador Juliano, apelidado de “o apóstata”. Ele ganhou esse apelido porque renegou o batismo cristão que tinha recebido, abandonou a fé e começou a empreender verdadeira guerra contra o cristianismo.

A perseguição do imperador Juliano
Juliano começou sua guerra anticristã fazendo a substituição de todos os cristãos que ocupavam cargos no império. Todos eram substituídos por não cristãos. Além disso, os cristãos mais populares, mais perseverantes e os que exerciam liderança eram humilhados, torturados publicamente e, muitas vezes, mortos.

Execução da família de Bibiana
No ano 363, os pais de Santa de Bibiana, que eram cristãos fervorosos, foram executados na presença de Bibiana e de sua irmã, chamada Demétria, porque não renunciaram à fé cristã. Flaviano, pai de Bibiana, foi morto com um símbolo marcado na testa. Este símbolo o identificava como sendo escravo. A mãe de Bibiana, chamada Defrosa, foi decapitada. Bibiana e a irmã foram aprisionadas antes de serem mortas.

Sofrimento e milagres
Demétria foi morta primeiro. Ela recebeu terríveis torturas, mas perseverou na fé até o fim. Bibiana presenciou tudo. Depois, então, aconteceu o martírio de Bibiana. Para ela, outra tática foi utilizada, com o fim de fazê-la abandonar a fé. Ela foi levada para um prostíbulo de luxo para ser prostituída. Porém, nenhum homem conseguiu aproveitar-se da sua grande beleza, porque, quando tentavam toca-la, eram atacados por um estranho surto de loucura. Por isso, Bibiana, foi levada para um asilo de doentes mentais. Mas, lá, aconteceu o oposto: os doentes começaram a ser curados.

Martírio
Como santa Bibiana não renegou sua fé em Cristo, ela foi levada para ser chicoteada. E o foi até morrer. Quando ela morreu de tanto apanhar, outro milagre aconteceu: os cães, que rodeavam a cena e atacavam ferozmente os cadáveres, não a tocaram. Pelo contrário, mantiveram-se, todos, a uma distância respeitosa, como que reverenciando a santa. Por isso,  seus restos mortais puderam ser recolhidos por outros cristãos e sepultados junto de seus familiares. Depois, todos foram transferidos para um túmulo feito para eles no monte Esquilino, na cidade de Roma.

Culto
Por fim, a perseguição romana acabou. A história do heroico martírio de Santa Bibianan e de seus familiares ganhou a devoção dos cristãos. Santa Bibiana passou a ser invocada como intercessora contra as doenças da cabeça, contra as doenças mentais e a epilepsia. Seu túmulo tornou-se local de grande peregrinação. Seu nome passou a ser muito usado para recém-nascidas de famílias cristãs.

Veneração
No ano 407 a veneração a Santa Bibiana estava tão difundida, que o papa, chamado Simplício, mandou construir uma pequena igreja em sua homenagem, no local de sua sepultura. No ano 1625 foi construída uma basílica dedica a Santa Bibiana sobre as ruínas da primeira igreja. Com isso, o culto a Santa Bibiana ganhou nova força. As relíquias da santa estão depositadas sob o altar-mor da Basílica.

Padroeira
Além de ser protetora contra as doenças da cabeça e da mente, Santa Bibiana é padroeira de Sevilha, na Espanha e da diocese de Los Angeles, Estados Unidos.
Sua celebração acontece no dia 2 de dezembro, que é o dia em que ela entregou sua vida por amor a Jesus Cristo.

Santa Bibiana, rogai por nós!

2 de dezembro - Dia de São Silvério

São Silvério Papa
Século IV

Silvério nasceu em Frosinone, na Campânia, Itália. Era filho do papa Hormisdas, que fora casado antes de entrar para o ministério da Igreja. Entretanto, ao contrário do que se encontra em alguns escritos, ele não foi sucessor do seu próprio pai. Antes de Silvério assumir, e depois do seu pai, outros ocuparam o trono de Pedro. Em períodos variados, não ultrapassando dois anos cada um, foram os papas: João I, Félix III, Bonifácio II, o antipapa Dióscoro da Alexandria, João II e Agapito I.

Eleito no dia primeiro de junho de 536, papa Silvério foi o sucessor do papa Agapito I, e o numero cinqüenta e oito da Igreja Católica. Embora fosse apenas subdiácono quando assumiu o trono de Pedro, ele foi um dos mais valentes defensores do cristianismo, pois enfrentou a imperatriz Teodora.

O conflito com a imperatriz começou quando ela enviou uma carta a ele ordenando que aceitasse, em Roma, bispos heréticos, entre eles Antimo. Respondendo com veemência que não obedeceria de forma alguma, foi preso. Tiraram-lhe as vestes papais, e, vestido como um simples monge, foi deportado para Patara, na Ásia.

Enquanto isso, assumia o governo da Igreja o antipapa Virgílio, que foi colocado em seu lugar porque aceitou a imposição da imperatriz de receber em Roma os tais bispos heréticos recusados por Silvério. Esse, por sua vez, pouco depois foi enviado a Lícia. Mas, como era um religioso muito popular, foi recebido com honras inesperadas pelos monarcas romanos da região.

Revoltado com a deposição de Silvério, o bispo de Lícia resolveu falar diretamente com o imperador Justiniano. Foi nesse encontro que proferiu as palavras que ficariam gravadas na história e seriam repetidas pelos séculos seguintes: "Existem muitos reis neste mundo, mas apenas um papa em todo o universo".

Tocado pelas palavras do religioso, o imperador determinou a volta do papa Silvério a Roma. Mas Teodora continuou com suas armações e, pouco tempo depois, ele era enviado à ilha de Palmaria, Ponza, onde sofreu um exílio mais rigoroso que o primeiro.

Novamente, recebeu ordem de Justiniano para voltar a Roma. Contudo o papa preferiu terminar no cisma que surgira, abdicando no dia 11 de novembro de 537.

Consumido pelas chagas e pela fome, morreu pouco depois, no dia 2 de dezembro do mesmo ano. Seu corpo, ao contrário do dos outros papas que morreram no exílio, não retornou para Roma, permaneceu naquela ilha, onde sua sepultura se tornou local de muitas graças e meta de peregrinação. O santo papa Silvério é venerado no dias de sua morte.
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DEFESA DAS APARIÇÕES DE JACAREI

DEFESA ÀS APARIÇÕES DE JACAREÍ


(FEITA POR UM PEREGRINO, AO CONTEMPLAR UM VÍDEO FALANDO MAL DAS MESMAS CITADAS ACIMA, E SOBRE A CARTINHA DO BISPO DA ÉPOCA, ALEGANDO QUE AS APARIÇÕES NÃO ERAM VERDADEIRAS)


NÃO SEI QUEM FEZ MAS PRA MIM ESSA PESSOA MERECIA UMA MEDALHA DE HONRA DE NOSSA SENHORA POR ESTA BELA DEFESA

"Quando você diz que devemos dar ouvidos ao que os padres dizem a respeito das aparições de Jacareí, corre em um ledo engano, pois, a “opinião pessoal” deles é que não pode ser elevado ao nível de “dogma de fé”. As cartas de Dom Nelson são muito citadas pelos que latem que estas Sagradas Aparições são falsas. Portanto, mister se faz alguns esclarecimentos. Há duas cartas oficiais onde este indigitado bispo trata da matéria “aparições”. Uma primeira, publicada em 1996, enquanto o mesmo ainda era bispo de São José dos Campos (diocese a qual pertence Jacareí). Nesta, não há menção alguma ao nome do Profeta Marcos Tadeu Teixeira, muito menos, excomunhão, há somente algumas orientações pastorais. A segunda, publicada em 2007 e republicada em 2011, realmente traz explicitamente o nome do Profeta Marcos Tadeu Teixeira, porém, nesta, a palavra “excomunhão” é sequer mencionada.

Ainda há um probleminha com esta segunda carta. O dito bispo (certamente pela providência de Nossa Senhora) foi transferido para a diocese de Santo André/SP em 2003, e, observem, a segunda carta publicada por ele ocorreu no ano de 2007, quando já havia deixado de ter jurisdição eclesiástica sobre a cidade de Jacareí. Portanto, o mesmo, ao editar esta carta, violou a jurisdição eclesiástica conferida a ele pela Igreja, e, ainda, violentou gravemente a autoridade de Dom Moacir, então, bispo da Diocese de São José dos Campos, que, se quisesse, poderia ter criado o maior caso com isso, pois Dom Nelson desrespeitou frontalmente e atropelou sua autoridade eclesiástica, uma verdadeira afronta. Então eu lhes pergunto, vocês ainda vão dar credibilidade a um documento irregular e eivado de vícios como esse?

Vale lembrar, que não é obrigatório seguir estas cartas circulares dos bispos. Não há heresia nem cisma nisso. Um católico somente pode ser acusado de cismático ou herege se atentar contra os Dogmas de Fé. Que eu saiba, carta circular de bispo não é Dogma de Fé. Como a primeira carta de Dom Nelson não condena as Aparições de Jacareí, e a segunda está irregular, pode-se dizer que não pesa condenação oficial e regular da Igreja sobre estas Santas Aparições. Além do mais, até o presente momento, Dom José Valmor, que atualmente tem jurisdição eclesiástica sobre Jacareí, não fez pronunciamento oficial sobre as mesmas. Documento oficial onde o Profeta Marcos foi excomungado, também é inexistente, portanto, qualquer informação que diga o contrário é fruto de pura “fofoca”.

Ressalto que em Jacareí, realmente, não damos tanta importância aos documentos do Vaticano. O que nós realmente valorizamos é a doutrina que nos foi transmitida pelos santos, como Santo Afonso, São Luiz, Santa Teresa, São João da Cruz, etc... Outro adendo que gostaria de acrescentar, diz respeito ao fato da obrigatoriedade ou não das Sagradas Mensagens Celestiais. A orientação predominante entre os teólogos católicos, de que não é obrigatório seguir as Aparições de Nossa Senhora, se funda em meras opiniões pessoais de alguns clérigos a respeito do assunto. Esta orientação não tem o caráter da infalibilidade papal e muito menos é um Dogma de Fé. Realmente, o catecismo atual traz algo nesse sentido, mas vale lembrar que o mesmo não recebeu o caráter da infalibilidade pelo Concílio Vaticano II. Bem ao contrário do Santo Catecismo do Concílio de Trento. Este sim, recebeu o caráter de infalível. Ocorre que nossa amada Igreja há muito se transviou de uma tradição bíblica milenar, através da qual o “Deus dos Exércitos” sempre manifestou sua vontade ao povo de Israel por meio de suas aparições aos profetas (mesmo fenômeno que ocorre com o, também, profeta Marcos Tadeu, pois os fenômenos miraculosos e de aparições que ocorrem naquele Santuário, são da mesma espécie dos verificados na Sagrada Bíblia).

Ora, nos tempos bíblicos não era através dos fariseus, saduceus, príncipes e doutores da lei (a Igreja oficial da época) que Deus dava as suas diretrizes ao povo eleito, mas sim, através dos profetas, em outras palavras, dos videntes. Nos primórdios do cristianismo, também ocorria assim, pois, a própria origem da nossa amada Igreja se funda nas “aparições” de Jesus aos apóstolos e discípulos. Então, por que esta tradição bíblica foi quebra? Será que é porque as aparições aos profetas cessaram? Errado, pois nos últimos 100 anos ocorreram mais de 1000 aparições de Nossa Senhora, dos santos e anjos, e até de Deus.
A pergunta correta é, por que o clero tenta abafar isso, pois grande parte, senão todas, destas aparições também foram acompanhadas de sinais miraculosos, como, curas inexplicáveis pela ciência, sinais na natureza, etc... Se Deus usava deste expediente nos tempos bíblicos, certamente deveria continuar a usá-lo nos tempos do catolicismo, pois uma grande verdade que a Teologia professa é que Deus é imutável. Não citarei as passagens bíblicas onde Deus manifesta sua vontade através dos videntes/profetas, pois se assim fizesse, teria que citar a Bíblia inteira, pois a própria formação e ensinamentos nela transmitidos se dão por este meio. Gostaria apenas de citar um pequeno exemplo de qual atitude deveremos tomar frente às Aparições de Jacareí, tomando por base a Bíblia. Saulo, quando se dirigia à cidade de Damasco e Jesus lhe “aparece” exclama: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9, 6). Naquela ocasião, Jesus disse a ele para procurar os fariseus e saduceus (a Igreja oficial da época)? Não! O ordenou que entrasse na cidade de Damasco e ali lhe seria dito o que deveria fazer. Beleza. E quem Deus enviou para Saulo? Os fariseus e saduceus (a Igreja oficial da época)? Não! Mas Ananias, um vidente. Como eu sei que Ananias era um vidente? As Sagradas Escrituras nos contam que foi uma aparição de Jesus que disse para ele ir procurar Saulo. É só conferir At 9, 10-16ss.

Outro exemplo foi Judas Iscariotes; este preferiu errar com a Igreja oficial da época (lembra né, fariseus e saduceus) que acertar sem ela. Bom... Errou mesmo! E segundo alguns santos místicos, como Maria de Ágreda, sua alma se encontra no inferno. Assim, a posição teológica defendida pela maioria dos teólogos atuais, de que as aparições não são obrigatórias, falando em termos de estudo teológico da atualidade, é perfeitamente passível de questionamento, e, inclusive, daria uma boa tese de doutoramento. É um posicionamento que pode ser mudado. Não é Dogma de Fé. Gostaria de finalizar este ponto dizendo o seguinte. Jesus tolerou para sempre aquela Igreja oficial da época (o judaísmo) que rejeitou o projeto que suas aparições aos Apóstolos (que também eram videntes) propunha? Claro que não!!! Por causa disso, Deus se retirou do meio daquela Igreja e passou a habitar no meio dos seus videntes, os apóstolos e discípulos, e, assim, surgiu a nossa amada Igreja Católica (Mt 21, 39-45).

Não é objetivo do Profeta Marcos Tadeu, nem de sua Ordem e muito menos de nós, a Milícia da Paz (formada por todos os fiéis seguidores daquele Santuário) provocar um cisma na Igreja. Nós apenas denunciamos os erros (prerrogativa esta, conferida aos leigos pelo próprio Concílio Vaticano II), lutamos para que a devoção a Nossa Senhora, aos santos e anjos seja colocada em seu devido lugar, e que as suas mensagens, e as dos demais santos, e até as de Deus, seja acolhida como nos tempos Bíblicos, pois acreditamos que se isto não for feito, irá se abater gigantescos cataclismos sobre a Terra, de uma tal magnitude que nunca houve, nem jamais haverá. Acreditamos que esta “palavra de Deus” transmitida nas aparições é o caminho e a única forma de salvar o mundo, e qualquer obra, ou pessoa, que ensine ou faça diferente do que elas dizem, é desprezada por nós. O motivo para isto é muito simples. Desde tempos remotos, as Aparições de Nossa Senhora (inclusive as não aprovadas pela Igreja) vêm dizendo o que aconteceria ao mundo se esta “palavra de Deus” não fosse obedecida. Resultado, tudo o que elas disseram, em um passado remoto, está se cumprindo na atualidade. Então, não há outra conclusão a se fazer, a não ser admitir que elas eram verdadeiras, e que o clero errou. Aliás, o histórico de erro do clero é algo realmente interessante. Basta citar a condenação que pesou durante 20 anos sobre as Santas Aparições de Jesus Misericordioso à Santa Faustina, e não foi por um “bispozinho” qualquer. Foi pelo próprio papa da época. Se não fosse a atuação do então Cardeal Karol Józef Wojtyła, futuro Papa João Paulo II, estas aparições estariam condenadas até os tempos atuais, e, certamente, você seria um grande opositor delas, não é? Infelizmente, como atualmente o número de Cardeais, e clérigos em geral, com este nível de espiritualidade é praticamente nulo... tadinha das aparições... snif. Praticamente nenhum deles entende de Teologia Mística, o estudo apropriado para se avaliar as aparições e estudá-las.

Além do mais, as aparições de La Salette, Lourdes e Fátima, para quem conhece mais a fundo sua história, verá que elas na verdade não foram aceitas pelo clero. Muito pelo contrário, este as combateu com todas as suas forças. Na realidade, o que ocorreu, é que os fiéis praticamente as fizeram descer goela abaixo na garganta do clero, de tal modo, que eles não tiveram outra opção a não ser aprová-las. E, mesmo nestas que foram aprovadas, o estrago que o clero fez é algo incomensurável. Não as divulgou como deveria; se o corpo incorrupto de Santa Bernadete estivesse no Santuário de Lourdes iria converter milhões de fiéis, no entanto está praticamente escondido no convento de Nevers; o corpo incorrupto de Santa Jacinta foi escondido dos fiéis; a esmagadora maioria dos vaticanistas da Itália é de acordo que, até hoje, o terceiro segredo de Fátima não foi revelado em sua integralidade; a consagração da Rússia não foi feita como Nossa Senhora pediu até os dias atuais, etc... E isso, só para citar os danos que me vem à mente neste momento.

No Santuário das Aparições de Jacareí, o Profeta Marcos está resgatando tudo aquilo que a Igreja e a sociedade tanto se esforçaram para extinguir, os escapulários, medalhas, mensagens, enfim, a salvação do mundo que Nossa Senhora nos revelou e ofereceu com tanto amor ao longo de suas aparições na história. Sem dúvida, lá está se cumprido a passagem da Escritura na qual se diz: “Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas...” Mt 13,52 É uma nova aparição que resgata todas, até as mais antigas. Portanto, se ainda quiserem seguir a doutrina da cabeça deste cara de que não precisamos de aparições, o problema é de vocês. Aliás, se formos pensar bem, porquê Deus, Nossa Senhora os anjos e os santos apareceriam, né? Afinal de contas, nosso mundo está uma verdadeira maravilha, não é? Não temos problemas de droga, prostituição, corrupção, degradação moral, depressão, decadência da Igreja, violência, roubos, assassinatos, guerras, miséria..., todos os sacerdotes são verdadeiros Serafins de santidade, enfim, o Vaticano está dando conta do recado... Só não está apresentando um desempenho melhor devido a um “pequeno” probleminha de tráfico de influência entre os altos clérigos, desvio de verbas do banco do Vaticano, looby gay entre os padres, pedofilia generalizada, um papa progressista e comunista..., mas, afinal de contas, são probleminhas fáceis de serem solucionados, né? É... Em um mundo maravilhoso e em ótimo funcionamento como esse, realmente não entendo o motivo de tantas aparições..."